Mantega diz que modelo adotado pelo BC para determinar juros é ´burro`

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 18 de novembro de 2002 as 15:49, por: cdb

Ao prever que o Copom deve elevar nesta semana a taxa básica de juros ao menos em 0,5% “mesmo que seja somente para seguir o modelinho adotado”, o assessor econômico do PT, Guido Mantega, criticou nesta segunda-feira o modelo econométrico adotado pelo diretor de Política econômica do BC, Ilan Goldfjan.

– Nesse modelo se toma a taxa de câmbio, a taxa de inflação e o crescimento do PIB para se chegar à taxa de juros. Então, por esse modelinho talvez tenham que subir um pouco os juros. Mas não nos esqueçamos que esse modelo econométrico é burro porque se fosse inteligente poderia dispensar o presidente do Banco Central e colocar as variáveis no computador – afirmou.

Para Mantega, a alta na Selic agora teria impacto do ponto de vista de expectativas, mas não haveria uma ação direta sobre a queda da inflação, que vem sendo resultado do câmbio. “Temos que levar em consideração que em alguns cenários a elevação na taxa de juros tem efeito e em outros não tem. Em compensação, a alta das taxas de juros tem efeitos colaterais negativos a serem levados em consideração – então precisa avaliar se vale a pena ou não. E pelo que conheço do BC, acho que vai aumentar os juros, mesmo que seja só para seguir o modelinho, a menos que esteja também abandonando o modelinho no final do governo”, observou.

O economista foi além nas críticas ao governo de Fernando Henrique Cardoso ao indicar que o novo governo vai atacar rigidamente a questão da vulnerabilidade externa do País. “Vamos atacar o problema das contas externas, potencializando exportações não de forma excessiva mas com equilíbrio. Porque ao consolidar uma vulnerabilidade externa menor, teremos uma flutuação cambial menor e uma pressão inflacionária menor”, apontou, ao acrescentar que foi aí o erro de foco de FHC.

– O governo de FHC não trabalhou bem esse problema e mesmo na questão fiscal só se preocupou a partir de 1998 e até esse ano as contas públicas deixavam muito a desejar – concluiu.