Mantega diz que elevação da meta de superávit primário é resposta à crise e que medida não tem relação com a Selic

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Publicado segunda-feira, 29 de agosto de 2011 as 13:50, por: cdb

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta segunda-feira que a elevação da meta de superávit primário em cerca de R$ 10 bilhões é uma resposta à crise econômica internacional e não uma sinalização para o Banco Central (BC), às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O comitê anuncia na próxima quarta-feira a taxa básica de juros que irá vigorar até o dia 19 de outubro.

O superávit primário é a economia que o governo precisa fazer para pagar os juros da dívida pública e a meta, para este ano, foi inicialmente estabelecida em R$ 81,8 bilhões, passando agora para R$ 91 bilhões. A meta tem que ser atingida pelos três órgãos que formam o Governo Central: Previdência Social, Banco Central e Tesouro Nacional.

– Estamos respondendo à situação internacional. Temos repetido há semanas que está havendo uma deterioração do quadro internacional. Estamos nos precavendo a um possível agravamento desse cenário para impedir que o Brasil tenha o mesmo destino dos países avançados – disse.

O ministro destacou que, na verdade, é a crise internacional que está na “linha de preocupação do governo”, sendo necessária a criação de uma proteção para que o Brasil continue na “trajetória de crescimento com o mínimo de desgaste”.

Mantega disse ainda que o governo fortalece, com a elevação do superávit, a estratégia que vem sendo mantida ao longo dos anos de crescimento sustentável baseado em fundamentos econômicos sólidos.

– Conseguimos conciliar uma situação fiscal mais sólida, ou seja, em nenhum momento, crescemos com base no endividamento ou permitindo que a inflação voltasse – afirmou.

Na crise de 2008, lembrou o ministro, o desempenho da economia brasileira forçou o governo a reduzir o superávit primário, mesmo assim com um desempenho melhor do que o da maioria dos países.

– Não mudou nada da estratégia (em relação a 2008). Todas as medidas que estamos tomando, o Plano Brasil Maior, o aumento de crédito e redução de tributos para as pequenas empresas vai no sentido de fortalecer o trabalhador brasileiro e o empresário para gerar empregos e o Brasil continuar crescendo – acrescentou.

O aumento da meta do superávit primário, segundo ele, abre ainda caminho para a ampliação dos investimentos. Segundo o ministro da Fazenda, para que o crescimento seja sustentável nos próximos anos é preciso aumentar os investimentos.

– Nosso nível de investimento aumentou, mas ainda é insuficiente para manter um nível de crescimento do PIB [Produto Interno Bruto] que queremos, de 5%, 5,5% ou até mais do que isso. É uma prioridade e temos que permitir que isso aconteça – disse.

Para Mantega, mesmo com o alcance de cerca de 80% da meta de superávit primário nos sete primeiros meses do ano, se não houvesse o aumento do esforço fiscal, o governo poderia estar passando a ideia de que seria possível aumentar os gastos de custeio.

– A gente poderia relaxar. Bom, agora só falta 20% e o que viesse a mais a gente poderia gastar a mais. Não. Nós não vamos gastar a arrecadação que vier a maior. É isso que estamos dizendo. R$ 10 bilhões não é pouca coisa que estamos poupando – concluiu.