Mantega critica ‘falta de ambição’ do FMI

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Publicado domingo, 25 de abril de 2010 as 14:10, por: cdb

Ministro da Fazenda, Guido Mantega, criticou a “falta de ambição” do Fundo Monetário Internacional (FMI) no processo de reforma da divisão de cotas da instituição. A crítica foi feita pelo ministro na noite passada, em Washington, durante reunião do Comitê Monetário e Financeiro Internacional.

– Estamos apavorados pelo contraste entre a ambição demonstrada pela diretoria e a equipe ao falar sobre possíveis novos papéis do Fundo em termos de empréstimos e monitoramento e a falta de ambição demonstrada nos recentes documentos sobre a revisão de cotas – afirmou.

Países emergentes, como o Brasil, defendem uma reforma no FMI e no Banco Mundial e afirmam que a atual estrutura dessas instituições é ultrapassada e ainda reflete a ordem mundial do período pós-guerra. Esses países querem mais voz e mais poder de decisão nessas instituições.

– A legitimidade do Fundo depende de uma redistribuição substancial no poder de decisão. A legitimidade deve ser a questão número um na agenda da instituição – disse Mantega. Ele afirmou ainda que essa necessidade de redistribuição de poder deveria ter sido uma lição deixada pela crise, mas continua sendo adiada e empurrada.

Desde que chegou a Washington, nesta semana, Mantega tem insistido na urgência de fazer as reformas no FMI, antes que os atuais líderes do G20 (grupo que reúne países ricos e em desenvolvimento, do qual o Brasil faz parte) deixem o poder. Segundo o ministro, isso poderia reduzir o apoio político que existe atualmente pelas reformas.

No ano passado, ficou decidido que 5% das cotas de países ricos, que estariam “super-representados” no FMI, seriam transferidas para nações “subrepresentadas”, mas ainda falta decidir os critérios dessa reforma. Esse percentual ainda é menor do que os 7% pleiteados pelo Brasil e outros países emergentes.

O Brasil defende que os critérios para essa reforma levem em conta o peso do Produto Interno Bruto (PIB) e da contribuição de cada país para o desenvolvimento mundial.

– De 2004 a 2009, os mercados emergentes e países em desenvolvimento contribuíram com mais de três quartos do crescimento global do PIB em poder de paridade de compra – afirmou Mantega.