Mantega critica analista que prediz inflação em alta para o ano que vem

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Publicado quinta-feira, 8 de outubro de 2009 as 12:48, por: cdb

Ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez duras críticas aos analistas que projetam crescimento da inflação em 2010, por conta dos estímulos concedidos pelo governo para enfrentar a crise econômica que atingiu o Brasil no final do ano passado e se estendeu durante 2009. Segundo Mantega, por causa dessa estimativa de elevação da inflação, criou-se também uma expectativa de alta da taxa de juros.

– A meu ver, não tem nenhuma base de sustentação técnica. Acho que nós estamos perfeitamente dentro das projeções de que deveremos ter a inflação dentro da meta do ano que vem –  disse durante a apresentação do oitavo balanço do PAC.

O ministro lembrou que o governo tem diminuído gradativamente alguns estímulos como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis, que deixará de vigorar totalmente ao final do ano. Isso, segundo ele, ajudará a recuperar a arrecadação de impostos e melhorará as contas públicas.

– Eu acredito que as taxas estão sendo puxadas por aqueles que têm uma redução de lucro quando elas são mais baixas no país, gente interessada em elevar as taxas de juros. Portanto, uma parte do sistema financeiro lucra mais com isso. Temos que tomar cuidado. Não se justificam essas expectativas (de aumento da inflação), que já estão provocando uma alteração nas taxas de juros futuras – reclamou Mantega, lembrando que as taxas de juros de longo prazo com vencimento em 2011 têm subido a custos mais elevados, e, portanto, com impacto maior na rolagem da dívida pública.

Inflação oficial

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado pelo governo para fixar as metas de inflação, fechou o mês de setembro em 0,24%, resultado superior ao registrado em agosto (0,15%). Em setembro do ano passado, o índice foi de 0,26%. Com o resultado, divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumula no ano alta de 3,21%, abaixo da elevação de 4,76% verificada no mesmo período de 2008. Já no período de 12 meses, o índice acumula 4,34%, próximo ao resultado dos 12 meses imediatamente anteriores (4,36%).

Os produtos não alimentícios tiveram alta de 0,35% em setembro, depois de terem subido 0,20% em agosto. As principais pressões partiram dos itens gás de botijão (3,40%) e empregados domésticos (1,15%), que contribuíram para a alta do grupo habitação (de 0,47% para 0,62%).

Segundo o IBGE, também subiram as taxas de despesas pessoais (de 0,27% para 0,52%); transportes (de –0,11% para 0,27%), com destaque para automóveis novos (de 0,25% para 0,67%) e usados (de –1,55% para 0,86%); comunicação (de –0,02% para 0,22%), influenciada pela conta de telefone fixo, que ficou 0,32% mais cara; vestuário (de 0,13% para 0,58%); e saúde e cuidados pessoais (de 0,21% para 0,30%).

Já os alimentos tiveram queda mais intensa e passaram de – 0,01% em agosto para deflação de 0,14% em setembro. A principal contribuição para o movimento partiu do leite pasteurizado, que ficou 8,76% mais barato no período. Também caíram os preços da cenoura (–8,77%), do feijão carioca (–6,17%) e do feijão preto (–4,84%).

Regionalmente, o índice mais elevado foi apurado em Salvador (0,46%), influenciado pela alta dos remédios (1,03%) e pelo custo com empregado doméstico (5,78%). Na outra ponta, aparece Goiânia (0,01%), com o menor índice, seguida por Belém (0,02%).

Para calcular o índice, o IBGE coletou preços no período de 29 de agosto a 28 de setembro e os comparou aos vigentes entre 29 de julho e 28 de agosto.

O IPCA apura a inflação para as famílias com rendimentos de até 40 salários mínimos e abrange nove regiões metropolitanas do país, além do município de Goiânia e de Brasília.

Construção Civil

O Índice Nacional da Construção Civil, calculado por meio do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi), fechou o mês de setembro com alta de 0,20%. Os dados também foram divulgados pelo IBGE e mostram que o resultado manteve o patamar de agosto (0,20%), mas foi inferior ao do mesmo período do ano passado (1,30%). No ano, o índice acumula alta de 4,58% e nos 12 meses encerrados em setembro (anualizado), de 7,09%.

O estudo revela que a parcela dos materiais caiu de 0,29% para 0,26% e a relativa à mão de obra subiu de 0,07% para 0,12% no mesmo período.

A região com maior elevação foi a Nordeste, com alta de 0,30%. Já o Centro-Oeste registrou a menor taxa mensal (0,15%). Entre os estados, o Piauí apresentou o maior aumento (0,66%). O documento destaca, no entanto, que, sem a pressão exercida pelos reajustes salariais decorrentes de acordos coletivos, a alta foi inferior à verificada quando há negociação e assinatura de acordos.

Os custos regionais por metro quadrado foram: R$ 749,27 no Sudeste; R$ 702,35 no Norte; R$ 699,58 no Sul; R$ 678,02 no Centro-Oeste e R$ 661,93 no Nordeste.

Álcool combustível

O preço do álcool combustível teve reajuste médio de 4,51% no período entre 30 de setembro e 7 de outubro, ante alta de 2,76%. O aumento foi uma das principais contribuições para a elevação do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) de 0,18% para 0,25%, na primeira prévia do mês, segundo levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV).

O álcool combustível foi o principal item que provocou o aumento verificado do grupo transporte, de 0,24% para 0,33%. A alta do IPC-S também teve a influência dos calçados (de 0,28% para 0,90%), que levaram o índice referente a vestuário a apresentar uma alta de 0,83%, quase o dobro da anterior (0,42%). Mais dois grupos tiveram aumento: habitação, de 0,41% para 0,54%, puxado pelo reajuste da tarifa de água e esgoto residencial (de 1,44% para 1,97%); e educação, leitura e recreação, que reverteu a queda de 0,02% para uma alta de 0,06% diante da recuperação de preços das passagens áreas (de -4,12% para -3,33%).

Já os alimentos apresentaram queda mais acentuada do que na pesquisa anterior, passando de -0,11% para – 0,15%. As frutas, que vinham pressionando a taxa, apresentam redução do ritmo de aumento, com 2,13% ante 4,92%. O grupo saúde e cuidados pessoais reduziu a velocidade de alta, com 0,05% ante 0,06%. Esse movimento se deve aos medicamentos, cuja variação foi de 0,17%, bem abaixo da anterior (0,30%). Em despesas diversas, a taxa passou de 0,80% para 0,75%, influenciada pela ração para animais, cujo índice diminuiu de 1,20% para 0,61%.