Mantega considera adequada elevação do depósito compulsório dos bancos

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Publicado quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010 as 13:26, por: cdb

A decisão do Banco Central de elevar os depósitos compulsórios dos bancos a patamares pré-crise foi considerada adequada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, para quem a medida não afetará o consumo.

Durante a crise financeira internacional, que refletiu no país a partir do final de 2008, o BC reduziu o compulsório – que os bancos são obrigados a fazer junto à autoridade monetária – , como forma de manter o crédito disponível no mercado.

O ministro não quis comentar se a elevação evitaria que o Comitê de Política Monetária do Banco Central aumentasse os juros básicos da economia, como prevêem alguns analistas.

– Foi uma medida muito importante [na época] para aumentar a liquidez da economia e agora o crédito está normalizado, o volume de crédito é suficiente e até existe um excesso de liquidez. A medida é adequada e terá um efeito positivo na economia.

Mantega garantiu que não faltará crédito ao consumidor. Segundo ele, há dinheiro no mercado e as carteiras das instituições financeiras dispõem de bastante crédito, além de um volume grande de operações compromissadas (os bancos, diante do excesso de recursos, tem aplicado o excedente em papeis do BC).

– Ou seja, os bancos mesmo estão esterilizando parte do que dispõem na compromissada. Estão aplicando R$ 500 bilhões a R$ 600 bilhões. Então o que haverá é uma troca. Em vez de aplicar na compromissada, recolherá mais de compulsório. Não acredito que isso irá afetará o consumo.

Segundo o ministro, o volume de crédito está crescendo menos do que em 2008, quando chegou a 32%. Neste ano, a expansão está 20%, na média, índice que Mantega considerou “muito bom” para a atual conjuntura.

– Não precisa expandir mais do que isso –, disse.

Sobre a possibilidade de elevação dos juros na próxima reunião do Copom, como como esperam os analistas, o ministro disse que se trata de especulação.

O ministro da Fazenda garantiu ainda que o governo atinge neste ano a meta de superávit primário (a economia que o país faz para honrar compromissos financeiros) de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB – a soma de bens e serviços produzidos no país).

Ele considera uma “melhora expressiva” o resultado apresentado hoje pelo Banco Central, que mostra que o setor público registrou superávit nominal de R$ 2,201 bilhões, em janeiro.

O ministro rebateu críticas de que o governo só vem obtendo bons resultados porque tem adiado despesas, como o pagamento de precatórios. Ele comparou os resultados entre janeiro de 2009 e janeiro deste ano para provar que houve uma melhoria no superávit primário expressivo, que só do Governo Central chegou a R$ 13,9 bilhões, 5,22% melhor do que no mesmo período do ano passado.

Consolidado, com estados e municípios, o superávit primário ficou em R$ 16,185 bilhões no mês passado, contra R$ 7,358 bilhões registrados no mesmo período de 2009.

– Acho um excelente resultado que mostra que nós vamos fazer o superávit primário de 3,3% e que as contas públicas vão muito bem. Mostra a recuperação da economia, que demora a se expressar nas contas públicas, mas estamos com a arrecadação em forte recuperação. Supera níveis de 2008 e 2009 –, disse.

Mantega afirmo ainda que mesmo sendo este ano eleitoral, quando, segundo ele, “as más línguas” dizem que o governo vai gastar e não focar nos objetivos fiscais, a meta de 3,3% será alcançada.

– O resultado de janeiro é a prova que nós estamos no caminho.