Mantega alerta empresários contra o ‘canto da sereia’ em ano eleitoral

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Publicado terça-feira, 2 de fevereiro de 2010 as 11:58, por: cdb

Ministro da Fazenda, Guido Mantega advertiu nesta terça-feira aos empresários para que não se deixem levar pelo “canto da sereia” das projeções pessimistas baseadas no fato de este ser um ano eleitoral, sob pena de conturbar os ganhos obtidos na economia. Mantega fez a declaração ao falar para um grupo de empresários durante o Seminário Brasil: Preparado para Crescer, promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide).

No encontro, Mantega reiterou que, se houver um expressivo aumento da inflação o governo tem como controlar, recorrendo à política de juros. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que também participou do seminários, exaltou os resultados benéficos da politica econômica do governo e afirmou que “o Brasil deixou de ser o país do futuro e passou a ser o do presente”. Assim como Mantega, ele disse que o governo não planeja mudar a política econômica.

Sem estímulos

Mantega acrescentou que os sinais de recuperação da economia brasileira permitiram a retirada de alguns estímulos, mas descartou um aquecimento excessivo.

– Julgamos que era o momento de deixar os subsídios, mantendo o cronograma previsto de vencimentos – disse.

O ministro informou recentemente que o governo não renovará incentivos fiscais, decidindo que a redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a linha branca terminou em janeiro e que o incentivo para o setor automobilístico expira em 31 de março.

– Foi bom porque acalmou o ânimo daqueles que já achavam que deveria subir juro. Vamos devagar porque o santo é de barro – lembrou.

Mantega avaliou que a economia está crescendo de forma sustentável, porque tem “forte componente de investimento e porque não cria desequilíbrios macroeconômicos”. Segundo ele, a inflação deste ano não fugirá da meta, “mesmo que a economia cresça entre 5% e 5,5%”.

Recém chegado de Davos, onde participou do Fórum Econômico Mundial, Mantega afirmou ainda que nunca houve tanta confiança internacional no Brasil quanto agora. Ele também rearirmou a disposição do governo de cumprir “à risca” a meta de superávit primário deste ano, de 3,3%, e propôs um pacto com o empresariado brasileiro pela sustentabilidade da economia e para blindá-la em um ano eleitoral.

– Não devemos permitir que haja perturbação desse momento muito bom – disse.

Lula confirma

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou na coluna semanal O Presidente Responde, publicada nesta edição do Correio do Brasil, que o governo não renovará mais as reduções do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), mecanismo usado no ano passado para diminuir os efeitos da crise financeira mundial na economia brasileira.

“Na semana passada, considerando os sinais claros de recuperação da economia, decidimos não renovar mais as reduções de IPI, uma vez que os nossos objetivos foram alcançados”, disse ele. O presidente acrescentou que o crescimento das vendas “mostra que a medida foi determinante para o fortalecimento do setor (de eletrodomésticos)”. O incentivo terminou no último domingo.

No caso de bens de capital (máquinas e equipamentos para indústrias), o incentivo fiscal vai vigorar até 30 de junho. Para os automóveis, Lula afirmou que a redução do IPI acabará de forma gradual até o fim de março.