Manifesto do CV pode ter sido escrito por Marquinho Niterói

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Publicado terça-feira, 25 de fevereiro de 2003 as 19:27, por: cdb

Aliado do traficante Fernandinho Beira-Mar e principal suspeito de ser o mandante da ação que instalou desordem e medo nas ruas do Rio, Marco Antônio Silva Tavares, o Marquinho Niterói, ganhou poder e ascendeu na hierarquia do crime organizado dentro das prisões.

Integrante da facção Comando Vermelho, ele sempre atuou como uma espécie de comerciante de drogas, raramente aparecendo na linha de frente do tráfico, no embate do dia-a-dia dos morros e favelas com quadrilhas rivais ou policiais.

Quando foi preso em 1994 e levado para o presídio Ary Franco, em Água Santa, Marquinho atuava como “matuto” do Comando Vermelho, distribuindo drogas na área de Niterói. Pouco depois, escassearam os fornecedores da facção e o traficante passou a assumir o negócio em outras regiões do Rio, tornando-se o principal fornecedor das favelas comandadas por seu grupo.

A cocaína que revendia para os morros era de qualidade e preço inferiores aos de outros – “vagabunda e barata”, dizem policiais –, o que o levou a bater a concorrência.

Aproximou-se de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, tornou-se seu braço-direito e conquistou prestígio. Para a coordenadora da Cinpol (Coordenadoria de Inteligência da Polícia Civil), Marina Magessi, é provável que ele tenha sido o autor do manifesto que ameaçava a sociedade e atacava governantes e policiais, ao mesmo tempo em que defendia os mais humildes.

“Ele é mesmo meio metido a filósofo e gosta de usar palavras como “hipócrita” e falar de temas sociais. Não acho que Beira-Mar tenha escrito, porque escreve muito melhor, sem os erros de português e de concordância desse texto.”