Manifestações reúnem cerca de 250 mil pessoas nas ruas da capital chilena

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Publicado quinta-feira, 25 de agosto de 2011 as 15:17, por: cdb

Marchas e manifestações marcaram o segundo dia de Paralisação Nacional no Chile.

Os primeiros informes que chegam revelam que as quatro marchas realizadas na manhã desta quinta-feira (25) na capital chilena reuniram cerca de 250 mil pessoas. Representantes de organizações estudantis ainda convocaram a Jornada Continental de Lutas da Juventude Latino-Americana, que acontecerá em março de 2012.

Cerca de 250 mil pessoas estiveram hoje nas ruas de Santiago para as marchas do segundo dia de Paralisação Nacional. De acordo com informações da Central Unitária de Trabalhadores (CUT), as marchas saíram de quatro pontos da capital chilena: Mapocho, Estação Central, San Diego con Placer e Praça Italia. Os manifestantes ocuparam as ruas até por volta das 13h30 (horário local).

As 48 horas de mobilização nacional reúnem mais de 80 organizações sociais, políticas e sindicais do país por um novo Código do Trabalho, reforma do sistema tributário, nova Constituição Política do Estado e educação pública gratuita. De acordo com Camila Vallejo, presidenta da Confederação dos Estudantes Chilenos (Confech), participam das manifestações estudantes, trabalhadores, sindicalistas, entre outros atores sociais. “[As manifestações] mostram a diversidade e a riqueza de movimentos que temos no Chile”, afirma.

A mobilização também mostra o descontentamento popular com o governo de Sebastián Piñera, presidente chileno. De acordo com a líder estudantil, o governo assumiu uma postura intransigente, sem abertura para o debate. “A discussão [ocorre] somente através dos meios [de comunicação] que ele domina”, comenta.

Para Camila, falta vontade por parte do Governo para mudar a situação do país. “Não há vontade, há intransigência. Não há vontade de mudança, nada mudou”, aponta.

Na tarde de hoje, a Central Unitária dos Trabalhadores realiza um balanço das atividades. A Paralisação Nacional de 48 horas se encerra na noite de hoje com mais panelaços. Segundo Camila, nos próximos dias, as organizações planejarão mais protestos e manifestações. “A mobilização não termina aqui. Vamos avaliar e seguir adiante”, assegura.

Educação

A Paralisação Nacional chilena se soma aos protestos realizados há três meses por estudantes por uma educação pública no país. Camila Vallejo, presidenta da Confederação dos Estudantes Chilenos (Confech), afirma que a demanda principal é pela garantia da educação como direito universal. “Queremos uma mudança de paradigma do modelo da educação, pois a educação aqui no Chile é vista como um bem de consumo, uma mercadoria para o lucro”, comenta.

Os estudantes chilenos recebem apoio de vários setores nacionais e também da comunidade internacional. O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) do Brasil, Daniel Iliescu, foi ao Chile para apoiar as manifestações dos estudantes e trabalhadores chilenos e convocar a Jornada Continental de Lutas da Juventude Latino-Americana, que será realizada em março de 2012.

De acordo com ele, a ideia é mobilizar os movimentos estudantis dos países da região para realizar uma jornada de lutas pela educação pública gratuita e de qualidade e pela integração e soberania da América Latina. A iniciativa foi proposta pela UNE e aprovada no congresso da Organização Continental Latino-Americana e Caribenha dos Estudantes (Oclae).

O apoio do brasileiro será retribuído por Camila ainda neste mês. Segundo Daniel, na próxima quarta-feira (31), a representante estudantil visitará o Brasil para participar da Marcha dos Estudantes. A manifestação, que será realizada em Brasília (DF), tem o objetivo de demandar do governo brasileiro 10% do Produto Interno Bruto (PIB) e 50% do fundo social do pré-sal para a educação.

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