Manifestações na Síria completam 1 ano

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Publicado quinta-feira, 15 de março de 2012 as 08:42, por: cdb
Síria
Moradores limpam destroços das ruas após passagem de forças do governo em Sermeen, 28 de fevereiro de 2012

As manifestações populares contra Assad iniciadas em 15 de março de 2011 como parte da chamada Primavera Árabe ganham cada vez mais contornos de uma guerra civil, e o Exército parece estar se impondo aos rebeldes. Na véspera do aniversário dos confrontos, forças leais ao presidente Bashar al Assad ganharam terreno na quarta-feira nas cidades de Idlib e Deraa, intensificando a repressão a uma revolta que se aproxima do seu primeiro aniversário sem a perspectiva de uma solução negociada.

Kofi Annan, enviado especial da ONU e da Liga Árabe, disse ter recebido de Damasco uma resposta sobre o plano de paz que ele apresentou no fim de semana, e que ainda espera outros esclarecimentos. “Mas, dada a grave e trágica situação no terreno, todos devem perceber que o tempo é essencial”, disse Ahmad Fawzi, porta-voz de Annan, em nota divulgada em Genebra. Annan falará na sexta-feira sobre o tema ao Conselho de Segurança da ONU.

Nesta semana, a oposição armada foi expulsa da cidade de Idlib, como já havia acontecido no mês passado em redutos oposicionistas de Homs. Além disso, cerca de 130 tanques e blindados chegaram a Deraa, o berço da revolta, no sul. “Casas estão sendo atacadas por bombardeios aleatórios com tiros, granadas de propulsão e mísseis antiaéreos”, disse um morador de Deraa que se identificou apenas como Mohammed.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede na Grã-Bretanha, disse que 13 civis e 7 rebeldes foram mortos na quarta-feira nessa cidade.

Também na quarta-feira, a chancelaria turca disse estar empenhada em descobrir o paradeiro de dois jornalistas do país que desapareceram na Síria uma semana depois de viajarem a Idlib.

A ONU estima que 8.000 pessoas, sendo a maioria civis, já tenham sido mortas durante a revolta na Síria. Diplomatas alertam que a Síria, assolada por divisões sectárias, pode enfrentar uma guerra civil de estilo balcânico se não houver uma solução política. O governo sírio é controlado pela seita alauita, mas a maioria da população é muçulmana sunita. A economia do país já está em frangalhos devido às sanções econômicas, e Assad está cada vez mais isolado entre os governos árabes.

A imprensa oficial síria acusou “terroristas armados” de matarem 15 civis, inclusive crianças pequenas, em um bairro de simpatizantes do governo na cidade de Homs, principal foco do conflito nas últimas semanas.

Os relatos vindos da Síria não podem ser confirmados de forma independente, por causa das restrições das autoridades ao trabalho de jornalistas e entidades de direitos humanos.

Diálogo ainda está aberto com Síria
O enviado especial conjunto da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, continua em contato próximo com as autoridade sírias para discutir suas propostas para encerrar os confrontos, afirmou seu porta-voz, Ahmad Fawzi, nesta quinta-feira. “A porta do diálogo ainda está aberta. Ainda estamos envolvidos com as autoridades sírias para falar sobre as propostas do senhor Annan”, disse Fawzi, em Genebra.

Annan, cujo gabinete oficial fica baseado em Genebra, na Suíça, discursará para o Conselho de Segurança das Nações Unidas por videoconferência da cidade suíça na sexta-feira.

O ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que conversou com o presidente sírio, Bashar al-Assad, em Damasco no fim de semana passado, disse na quarta-feira que havia recebido respostas de Assad, mas que buscava esclarecimentos para as questões que continuavam pendentes.

As propostas apresentadas a Assad pelo enviado especial destacaram passos que precisam ser tomados, incluindo a interrupção dos confrontos, acesso humanitário e o início de um diálogo político com a oposição síria, disse o porta-voz.

A Síria completou o primeiro aniversário nesta quinta-feira do cada vez mais sangrento levante contra Assad. As recentes vitórias do Exército tornam improváveis o sufocamento da revolta e nenhuma solução diplomática está à vista.