Manifestação pacífica conta com 1.200 pessoas em Salvador

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Publicado quinta-feira, 11 de setembro de 2003 as 02:25, por: cdb

Mesmo sob forte chuva, cerca de 1.200 pessoas compareceram à manifestação promovida pelos estudantes, do Campo Grande à Praça Municipal de Salvador, conforme avaliação do tenente-coronel da PM Manoel Patrício, responsável pelo diálogo com os manifestantes.
 
A passeata pacífica reuniu universitários, secundaristas, alunos de ensino fundamental, cursos técnicos profissionalizantes, supletivos e cursinhos pré-vestibular, além de representantes da União da Juventude Socialista (UJS), Movimento Ruptura Socialista (MRS) e partidos políticos.

Além da revogação do aumento, outros pontos foram incluídos na pauta de reivindicações estudantis. Entre eles a meia passagem no ferry-boat para estudantes da capital que comprovem morar na Ilha de Itaparica e o cumprimento da lei estadual que garante, desde 1990, a meia passagem para o transporte interestadual na região metropolitana.
 
Os estudantes também querem gratuidade na primeira via do smart-card e garantia de quatro passagens diárias para secundaristas e seis para universitários.

A concentração no Campo Grande teve início às 10h. Na praça, eles discursaram, reafirmando as razões do movimento e a ausência de líderes. Houve vaias durante discursos de representantes de partidos políticos, entidades socialistas e organizações estudantis.
 
Artistas de rua aproveitaram a oportunidade de mostrar o seu trabalho, como Loloca, que trouxe uma perfomance sobre o uso do conhecimento para andar de ônibus sem pagar nada.

Por volta das 11h, os estudantes partiram a pé para a prefeitura, passando pela Praça Castro Alves e Rua Chile. Cantaram o Hino Nacional e Pra não dizer que não falei de flores, de Geraldo Vandré. Comerciantes e pedestres pararam para assistir à caminhada, que ocorreu sob chuva grossa.
 
Em frente à prefeitura, um cordão de isolamento formado por policiais militares conteve os manifestantes. A PM também isolou as entradas da Câmara Municipal de Vereadores, inclusive do anexo, junto à prefeitura.

Conforme o tenente-coronel Patrício, o prefeito Antonio Imbassahy aceitou receber uma comissão de oito alunos. Esperou até às 13h, mas os manifestantes demoraram até às 15h para definir quem seriam os representantes.
 
Segundo alguns deles, o motivo da demora seria a necessidade de formar uma comissão legítima que represente o movimento. A diretriz geral era que a comissão estudantil não deveria fechar acordo algum, apenas apresentar as reivindicações e pedir garantias de que a passagem voltasse a custar R$1,30.

Até às 16h, não houve paralisação de passagem de ônibus em nenhum ponto da cidade. Nos principais locais de paralisação, como Iguatemi, Costa Azul e Estação da Lapa, dezenas de policiais esperavam a possível chegada de manifestantes. Também não houve bloqueios nas portas das garagens dos ônibus, como grupos de estudantes tinham agendado.