Mangueira é forte candidata e Unidos da Tijuca se atrapalha

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Publicado terça-feira, 4 de março de 2003 as 08:10, por: cdb

Contando a história de Moisés, a Mangueira é uma das favoritas ao título. A Mocidade, apesar de seu enredo difícil, foi bastante aplaudida e empolgou o público. Já a Unidos da Tijuca foi bastante prejudicada por problemas com dois carros alegóricos.

Tradição

A primeira escola a se apresentar no segundo dia de desfiles do Grupo Especial foi a Tradição, que homenageou o jogador Ronaldo e o esporte brasileiro. Mesmo iniciando seu desfile com 15 minutos de atraso e ainda sob chuva, a Tradição contagiou o público com o enredo “O Brasil é Penta, R é 9 – O Fenômeno Iluminado”. O jogador, que não pode comparecer, foi representado por sua mãe, Dona Sônia. O destaque do desfile foi a ala das crianças. Elas vieram fantasiadas de Ronaldo, com o famoso corte estilo “Cascão”.

Mangueira

A atual campeã do Carnaval carioca não desapontou sua torcida, que recebeu a escola com gritos de “bi-campeã”. Em tempos de guerra, a segunda escola a desfilar na noite de segunda-feira trouxe o enredo “Os Dez Mandamentos! O Samba da Paz Canta a Saga da Liberdade”, e está na disputa pelo título. Um dos destaques da Estação Primeira foi a comissão de frente, que contou com a presença do dançarino Carlinhos de Jesus, interpretando Moisés, e do ilusionista Issao Imamura, que o fazia levitar em plena Avenida sobre uma alegoria representando o Monte Sinai. Moisés apareceria novamente em uma ala representando a travessia do Mar Morto. Ao seu comando, componentes trajando azul formavam um corredor pelo qual o personagem conduzia seu povo.

Beija-Flor

O Carnaval de Beija-Flor surpreende mais um vez. Com muita originalidade, a escola de Nilópolis abordou o tema “fome”. A passagem pela avenida levantou o público e comprovou a popularidade da agremiação. A apresentação foi perfeita, com destaque para o carro alegórico com o boneco gigante do presidente Lula. Na frente da bateria, rainha e princesas, todas da comunidade, mostraram muito samba no pé. Os big brothers Viviane e Jean também desfilaram pela escola.

Unidos da Tijuca

A escola Unidos da Tijuca enfrentou problemas durante seu desfile. O maior deles foi a queda da atriz Neusa Borges de um carro alegórico que enfrentava dificuldades de se deslocar na passarela do samba. Neusa teve que ser medicada e foi levada para o Hospital Souza Aguiar. O último carro alegórico da escola não conseguiu entrar na avenida e teve que ficar de fora da apresentação. Além disso, o ritmo ficou comprometido por um cavaquinho desafinado, que prejudicou a evolução da excelente bateria da Unidos da Tijuca. Apesar das dificuldades o carnavalesco da agremiação, Milton Cunha, acha que a escola não será prejudicada.

Porto da Pedra

A escola de São Gonçalo, quinta a desfilar na madrugada de terça-feira, trouxe o enredo “Os Donos da Rua. Um Jeitinho Brasileiro de Ser”. Um dos destaques da agremiação foi a comissão de frente, que simbolizava o “povo das ruas” representando uma coreografia teatral ao redor de uma alegoria de um automóvel conversível. Os componentes estavam vestidos como lixeiro, vendedor ambulante, guarda de trânsito e outras figuras típicas das ruas. O enredo, inspirado na música da cantora Fernanda Abreu, ‘Rio 40 Graus’, foi apresentado através de alas que mostraram tudo que acontece pelas ruas.

Mocidade

A Mocidade Independente de Padre Miguel, penúltima escola da segunda noite de desfiles do Grupo Especial, deixou a Avenida otimista. Apesar da polêmica que envolvia o seu enredo, sobre a doação de órgãos, a escola do carnavalesco Chico Spinosa conseguiu levantar as arquibancadas e foi muita aplaudida durante todo o desfile, em que foram simulados transplantes de córneas, medula, ossos, pele, rins e fígado. Desde o carro abre-alas, que representou o Coração da Mocidade, até a última alegoria, que trouxe a escultura do carnavalesco Fernando Pinto, atuante nos anos 70 e 80, a escola conseguiu contagiar as arquibancadas. A agremiação trouxe muitas personalidades, como Marcos Palmeira, Ana