Mandantes do grampo telefônico serão conhecidos na próxima semana

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Publicado quinta-feira, 6 de março de 2003 as 19:26, por: cdb

Investigadores que trabalham na apuração do escândalo dos grampos clandestinos feitos pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia prevêem que até a próxima semana deverão ser identificados os mandantes das escutas. Para isso, procuradores da República e o delegado federal Gesival Gomes dos Santos pretendem antecipar o depoimento de Mauro Alexandre Cruz, ex-funcionário de uma operadora de telefonia, que está disposto a revelar todo esquema dos grampos. “Acho que já está na hora de contar tudo”, disse Cruz.

O depoimento de Cruz ainda não foi marcado pela PF, mas deverá ocorrer antes mesmo dos de oito policiais civis e da ex-secretária de Segurança Kátia Alves, marcados para a próxima semana. “Eu preciso falar”, afirmou Cruz, que era o responsável pela área de segurança da TIM/Maxtel, e por onde passava todos os pedidos judiciais de interceptações telefônicas. Entretanto, segundo ele, as possíveis revelações só serão feitas diante da PF. “Não vamos falar nada, por enquanto”, avisou o advogado Marcelo Leonardo, que defende o técnico.

Cruz foi acusado pelo assessor da secretaria Alan Souza de Farias de ter feito escutas que, apesar autorizadas pela Justiça, não tinham sido requeridas pela polícia. Os grampos, conforme a PF está investigando, poderiam ser dos telefones dos deputados Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) e Nelson Peregrino (PT-BA), do ex-deputado Benito Gama, ou do casal Plácido Faria e Adriana Barreto, ex-namorada do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). A alegação dada por Cruz, segundo Farias, seriam erros de digitação. “Alan está arrumando um jeito de se livrar”, disse Cruz.

Apesar de trabalhar em Belo Horizonte, Cruz fez algumas visitas a Farias a ao delegado Valdir Barbosa, indiciados como autores dos grampos. Segundo o escrivão Darthagnan Francisco Pinheiro, que trabalhava com Barbosa, o técnico da TIM/Maxtel esteve com o delegado, em Salvador, em duas ocasiões no ano passado, período em que os grampos clandestinos foram realizados. A relação entre Barbosa e as empresas de telefonia chegou a ser considerada “íntima”, segundo a juíza de Itapetinga – onde foram autorizados os grampos -, Tereza Cristina Navarro Ribeiro, e a promotora da cidade, Virgínia de Alcântara Alves Silva.

Até então, a PF acreditava que os depoimentos dos policiais, que devem se estender por toda a semana, seriam importantes e poderiam até mesmo incriminar a ex-secretária Kátia Alves, ligada a ACM, como a possível mandante do grampo. “Estamos procurando antecipar o depoimento de Cruz, para podermos avançar ainda mais em busca da pessoa que solicitou a escuta ilegal em torno dos parlamentares”, afirmou o procurador Edson Abdon.