Mais um inimigo do coração é identificado por cientistas

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Publicado quinta-feira, 8 de agosto de 2002 as 11:00, por: cdb

O colesterol alto, perdeu o posto de maior vilão na lista das causas dos ataques cardíacos. Os cientistas descobriram que existe um perigo oculto no organismo que pode ser um gatilho ainda mais poderoso para disparar o problema.
Trata-se de um baixo grau de inflamação, que pode surgir em uma variedade de partes do corpo, incluindo excesso de gordura. Por conta da descoberta, as origens e formas de prevenção das doenças do coração começam a ser revistas.
“As implicações são enormes”, diz o dr. Paul Ridker, do Boston Brigham and Women’s Hospital. “Significa que temos um modo inteiramente diferente de tratar e prevenir a doença coronariana que estava perdido devido a nosso foco apenas no colesterol”.
Há um ou dois anos, segundo os especialistas, se tornaram esmagadoras as provas de que inflamações escondidas no corpo são um gatilho comum para ataques cardíacos, mesmo que entupam minimamente as artérias.
A inflamação pode ser medida por meio de um teste de 10 dólares que verifica os altos níveis de uma substância química chamada proteína C-reativa, uma das muitas que aumentam durante processos inflamatórios.
Os especialistas esperam que esse exame torne-se rapidamente parte da rotina clínica. Em conseqüência, muita gente considerada em baixo risco provavelmente terá que tomar a droga estatina, que reduz tanto a inflamação quanto o colesterol.
Eles descobriram que pessoas que apresentam altas taxas da proteína C-reativa no sangue têm risco dobrado de ter ataques cardíacos se comparadas àquelas com colesterol alto.
A junção de altos níveis altos da proteína e de colesterol – aumenta em nove vezes o risco. Toda pessoa na meia-idade tem algum grau de placas de gordura nas artérias coronarianas. As novas provas sugerem que isso se torna ameaçador se o organismo for enfraquecido por algum processo inflamatório, que o fragiliza.
A tendência é que os médicos recomendem o exame da proteína em pessoas de meia-idade, fumantes, colesterol no limite da normalidade ou hipertensão.
Ou seja, recomendações que os médicos já fazem há tempos, mas que serão enfatizadas para aqueles que possuem altos níveis da proteína C-reativa e que até agora se julgavam livres do risco de ataques cardíacos.