Mais dois americanos são mortos no Iraque

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Publicado quarta-feira, 27 de agosto de 2003 as 16:26, por: cdb

Mais dois soldados americanos foram mortos em combate nesta quarta-feira no Iraque, e a agência humanitária Oxfam tornou-se a quarta grande organização internacional a retirar parte ou todo seu pessoal estrangeiro do país devido à crescente insegurança.

Um dia depois que um ataque suicida com caminhão-bomba destruiu parte do quartel-general da ONU em 19 de agosto, matando 23 pessoas, entre elas o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, e ferindo mais de 100, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional anunciaram que estavam retirando temporariamente alguns de seus representantes estrangeiros.

Muitos funcionários da ONU também deixaram posteriormente o país. Existem dezenas de organizações não-governamentais e grupos de apoio trabalhando no Iraque, e o porta-voz de um dos grupos disse que a maioria das agências está estudando a redução de pessoal ou já o fizeram.

— A maioria delas está reduzindo sua presença tanto quanto possível — afirmou Hanno Schaefer, porta-voz da Caritas, a agência de ajuda humanitária da Igreja católica.

A Oxfam concluirá a retirada de seus 15 representantes estrangeiros nas próximas 48 horas, revelou, já em Amã, Jordânia, o diretor de programa do grupo, Simon Springett. O grupo baseado em Londres trabalhava em projetos de água e esgoto com a Unicef no Iraque.

— O nível de risco estava se tornando inaceitável para nós, tornando impossível operar nossos programas — explicou. O atentado contra o QG da ONU, segundo ele, foi apenas um dos fatores que levaram à decisão.

— Sentimos que organizações internacionais estavam sendo cada vez mais alvejadas. Acho que foi criada uma confusão entre operações humanitárias e militares no Iraque, estabelecendo um precedente muito perigoso.

A insegurança também está afetando os iraquianos, com frequentes sequestros-relâmpago e roubos sendo noticiado pela população. Tiroteios e explosões viraram lugar-comum em Bagdá. Na manhã desta quarta-feira, na Praça Ali Babá e os 40 ladrões, de Bagdá, dois policiais iraquianos e três civis foram mortos numa troca de tiros com criminosos.

Os dois soldados americanos mortos hoje foram vitimados em ataques distintos em Bagdá e numa cidade logo a oeste da capital. Um terceiro soldado morreu de ferimentos de bala num outro incidente não hostil, informou o Exército dos EUA.

Um soldado morreu e três ficaram feridos ao explodir uma bomba na passagem do comboio em que viajavam em Faluja, 50km a oeste de Bagdá. O segundo morreu num ataque semelhante na capital.

Agora, o número de soldados americanos mortos no Iraque desde que o presidente George W. Bush anunciou o fim dos grandes combates em 1º de maio subiu para 143, cinco a mais do que durante toda a guerra em si, que começou em 20 de março. Ao todo, 281 soldados dos EUA já foram mortos no país.

Um iraquiano foi morto nesta quarta-feira e dois soldados americanos ficaram feridos depois que uma bomba foi detonada na beira de uma estrada nos arredores de Baqouba, 70 km ao norte de Bagdá, informou o major Paul Owen, da 4ª Infantaria dos EUA.

Nas proximidades de Tikrit, 190 km ao norte de Bagdá, tropas americanas mataram um iraquiano depois que três homens dispararam contra uma patrulha. Nenhum americano ficou ferido.

Também nesta quarta-feira, a administração civil dos EUA no Iraque começou a espalhar pôsteres por todo o país retratos dos filhos de Saddam Hussein, Odai e Qusai. Os rostos estão riscados com um “X”, para lembrar aos iraquianos que eles foram mortos por forças americanas e que uma recompensa de US$ 30 milhões foi paga ao delator dos irmãos, US$ 15 milhões por cabeça.

O pôster lembra que informações que levem à captura de Saddam serão recompensadas com US$ 25 milhões.