Mais de mil bombas arrasam Bagdá

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Publicado sábado, 22 de março de 2003 as 00:42, por: cdb

A capital iraquiana, Bagdá, sofreu no amanhecer deste sábado outra leva de bombardeio, na série que já é o maior ataque aéreo das forças lideradas pelos Estados Unidos desde o início da guerra. As cidades de Mosul e Kirkuk, no norte, também foram bombardeadas. Um dos comandantes da operação disse que foram lançados mais de mil bombas, sendo 320 mísseis de cruzeiro, que chacoalharam a capital iraquiana e deixaram colunas de fumaça e fogo subindo aos céus da cidade. Vários prédios do governo ficaram em chamas.

De acordo com o governo americano, o comandante da 51ª Divisão de Infantaria se entregou às tropas americanas perto de Basra, no sul do Iraque. Não se sabe o exato número de soldados que integram a divisão nem quantos deles se renderam e quantos desertaram, mas uma divisão pode ter até 15 mil homens.

O secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, disse que os Estados Unidos estavam tentando encorajar novas rendições. Antes mesmo do início dos ataques, os Estados Unidos vem lançando panfletos estimulando soldados iraquianos a se entregar.

Ataques

O primeiro ataque começou por volta das 21 horas no horário local (15 horas em Brasília), e o segundo quase duas horas depois.

Os bombardeios atingiram um dos palácios do presidente Saddam Hussein, nas margens do rio Tigre, e outros prédios na região oeste de Bagdá, onde fica a sede do serviço de informações iraquiano, a sede do partido governista Baath e o aeroporto internacional.

Um correspondente da BBC em Bagdá também disse que escritórios do Ministério das Relações Exteriores e do vice-primeiro-ministro estavam em chamas.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, afirmou em Washington que este é o começo da “guerra aérea” contra o Iraque, uma tática descrita pelo governo americano como “shock and awe” – choque e pavor.

De acordo com o general Richard Myers, um dos comandantes da operação militar, várias centenas de alvos no Iraque seriam atingidos nas próximas horas (durante a noite no Iraque).

Segundo Rumsfeld, o ataque pretendia mostrar aos iraquianos que a época de Saddam Hussein acabou. Ele disse, no entanto, que não sabia se o presidente iraquiano ainda estava vivo, mas afirmou que a estrutura do país estava desabando.

O embaixador do Iraque na ONU, Mohammed Al-Douri, afirmou que a organização havia traído o Iraque, e se juntado aos Estados Unidos e à Grã-Bretanha na violação aos princípios da própria ONU.

O ministro do Interior iraquiano, Mahmoud Diab al-Ahmed, disse que os Estados Unidos são “uma superpotência de vilões” e que o Iraque vai continuar a lutar. O ministro da Informação, Mohammed Saeed al-Sahhaf, disse que as imagens de soldados se entregando mostradas na televisão são falsas.

O presidente francês, Jacques Chirac, disse que não vai aceitar um administração americana e britânica no Iraque depois da guerra. Chirac disse que a ONU é o único órgão que pode ser responsável pela reconstrução do país.

O correspondente da BBC em Bagdá Paul Wood disse que o bombardeio foi muito mais pesado do que nas duas noites anteriores.

Apesar dos incêndios em vários pontos da cidade, tanto a eletricidade como as transmissões de rádio e televisão continuaram funcionando depois dos ataques.

A cidade de Mosul, no norte do Iraque, também foi alvo de pesados bombardeios de aviões americanos, segundo um correspondente da BBC no local. Ele disse que enormes chamas podiam ser vistas no céu em várias ocasiões.

As forças iraquianas responderam com artilharia antiaérea, mas não atingiram os aviões.

Forte explosões também foram ouvidas em Kirkuk, também no norte, onde forças americanas estão tentando garantir o controle de amplos campos de petróleo.