Máfia do transporte é suspeita de atacar bar na Zona Oeste

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Publicado segunda-feira, 6 de novembro de 2006 as 12:12, por: cdb

Um rixa entre grupos que disputam o controle do transporte clandestino na Zona Oeste teria sido o motivo do atentado contra o ex-policial civil Neivaldo Mathias da Cruz, 46 anos, no último sábado, em um bar em Padre Miguel, segundo informações obtidas por policiais da 34ª DP (Bangu).

O ataque também matou o repórter-cinematográfico da Rede TV! Jorge Luiz de Barros, 53, que estava no local e acabou atingido por dois tiros. O ex-inspetor, suspeito de envolvimento com máfia das vans em Campo Grande, era o alvo dos criminosos.

De acordo com os agentes, o crime tem relação com a morte de um policial militar, na última quarta-feira, em Bangu. O sargento Michelle Aurélio Lo Mônaco, 41 anos, foi assassinado e o bombeiro Carlos César Ayres Tavares, do quartel de Realengo, ficou ferido por estilhaços. Eles estavam em um carro, na Rua Marechal Agrícola, quando foram surpreendidos por um homem que se aproximou e atirou com uma escopeta calibre 12.

A polícia chegou a suspeitar que o ataque tivesse ligação com a guerra dos caça-níqueis na região, mas a investigação mudou de rumo. A polícia apura se o atentado contra Neivaldo seria uma retaliação ao crime de Bangu. Segundo um agente, dois grupos que lutam pelas rotas de Kombis e vans da Zona Oeste estariam se enfrentando.

O PM faria parte do bando responsável pela morte do sargento Michelle e também estaria ligado a homens de Rogério Andrade, chefão do jogo na área, preso em setembro pela Polícia Federal em Petrópolis.

Na tarde do último domingo, o Peugeot preto utilizado no atentado ao bar foi abandonado na Rua Ligação do Pará, também em Padre Miguel. Policiais foram até o local, mas nenhum morador soube informar quando ou quem havia deixado o carro na rua.

Cerca de 100 pessoas compareceram ao enterro do cinegrafista Jorge Barros, ontem à tarde, no Cemitério de Campo Grande. Entre parentes, amigos e colegas de profissão o clima era de muita tristeza e indignação.
 
– Jorge era uma pessoa do bem e muito caseira. Nem beber cerveja em bar ele gostava. E quando foi comprar cerveja e refrigerantes, para um churrasco com amigos, acontece isso. Você não acredita que uma coisa dessa pode acontecer, mas acontece. Estava no lugar errado e na hora errada, lamentou o irmão Walquir de Barros, 47 anos.

Jorge Barros era casado pai de dois filhos. Sua mulher, Mara Cláudia Fernandes dos Santos, 39, estava em estado de choque durante o enterro. O cinegrafista trabalhou por 30 anos em televisão, a maioria cobrindo reportagens policiais.