Lula volta da África com agenda social a cumprir

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Publicado domingo, 9 de novembro de 2003 as 11:29, por: cdb

Sete dias, cinco países, e resultados práticos tanto para o Brasil como para o continente africano a ser cumpridos. A “maratona” de Luiz Inácio Lula da Silva pela África não se resumiu ao resgate do “compromisso histórico” que o presidente sempre afirmou ter com o continente mais pobre do mundo. Lula, com ajuda de ministros e da forte atuação da diplomacia brasileira, viu o seu desejo colocado em prática.

Conseguiu firmar uma série de acordos e determinar medidas que vão fazer a diferença para milhares de africanos que vivem, ainda neste domingo, em condições de miséria absoluta.

A primeira escala de Lula foi em São Tomé e Príncipe, ilhas africanas que integram a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), mas são internacionalmente conhecidas por uma das riquezas naturais mais cobiçadas do mundo: o petróleo.

A falta de recursos financeiros e de tecnologia para explorar os jazidos do minério, porém, não permitem ao país usufruir da riqueza que detém. A estimativa é que, com um território de apenas 1.000 km quadrados e 142 mil habitantes, São Tomé tenha capacidade para produzir 11 bilhões de barris de petróleo.

O presidente Lula assinou com o governo de São Tomé e Príncipe um acordo para cooperar com o país na exploração de petróleo. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) vai assessorar tecnicamente autoridades santomenses para que possam intensificar a exploração do petróleo.

Lula só não escondeu sua insatisfação quando constatou que a Petrobrás não se inscreveu para o leilão de lotes, realizado dias antes de sua chegada, vencido pela empresa norte-americana Chevron, que vai permitir explorar o petróleo no mar de São Tomé. Mas garantiu que vai se informar sobre a questão aqui no Brasil.

Os acordos bilaterais foram muitos, ao longo de todas as etapas da viagem de Lula. O presidente brasileiro esteve acompanhado de cerca de 160 empresários que aproveitaram para ver de perto o quanto o continente africano é atraente para investimentos externos.

Foi no encerramento das atividades da Missão Empresarial em Angola que Lula anunciou as medidas mais esperadas pelos empresários, entre elas, a que garante o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao estabelecimento de empresas brasileiras em Angola.

Em Moçambique, o presidente brasileiro também conseguiu retomar as negociações sobre a participação da Companhia Vale do Rio Doce na exploração do complexo de carvão Moatize, no norte do país.

As negociações entre a CVRD e o governo moçambicano estão prestes a ser concluídas, e a visita de Lula deu um impulso a mais para que sejam fechadas. Caso as negociações se concretizem, as novas receitas com carvão permitirão um aumento significativo no volume das relações econômicas e comerciais do Brasil com o país africano.

Social como prioridade

Mesmo tendo a economia em pauta, principalmente para ampliar o mercado exportador brasileiro, os temas sociais exiram grande atenção do presidente Lula.

Ele viu de perto a miséria em que vivem africanos de países como Angola, que enfrentou a guerra civil interna por mais de 40 anos, e só no final do ano passado começou a se reconstruir.

A educação foi o mote principal dos acordos diplomáticos firmados em Angola, que incluíram a reconfiguração do sistema escolar do país com a qualificação de professores, por meio do aprofundamento do apoio ao projeto angolano “Escola para Todos”, que o Brasil auxilia desde 2002.

O programa Bolsa-Escola também vai atravessar o Atlântico para ajudar alguns países visitados por Lula a combaterem o analfabetismo. O primeiro a adotar a experiência brasileira será São Tomé e Príncipe que, por meio de acordo firmado com o governo brasileiro, vai implementar o sistema de remunerar com um valor em dinheiro as famílias que mantiverem crianças na escola.

Mas foi no campo da saúde que o presidente Lula conseguiu firm