Lula vai a Bush conversar sobre a Alca

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Publicado sábado, 24 de maio de 2003 as 13:53, por: cdb

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, anunciou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai a Washington, dia 20 de junho, apresentar suas idéias sobre a Alca (Aliança de Livre Comércio das Américas) ao presidente americano, George W. Bush. “Nós não somos contra a Alca”, afirmou o ministro, ao responder à pergunta de um repórter sobre a possibilidade de o presidente brasileiro liderar um foco de resistência à Alca no continente.

Amorim lembrou que o presidente Lula disse, logo após a posse, que não era contra o bloco, mas a favor de que sua implantação fosse negociada de forma soberana pelo Brasil.

Negociações

“É isso o que nós estamos tratando de encontrar, um formato para a negociação da Alca que seja mais condizente com os nossos interesses”, explicou o chanceler.

Ao ser questionado se Lula vai repetir, na sua conversa com Bush, o tom duro dos discursos contra o protecionismo que têm feito ultimamente, Amorim foi rápido. “Duro não é o tom do presidente Lula, duro é o protecionismo.”

Antes de se encontrar com Bush, o presidente brasileiro viaja para Evian, na França, onde, no dia primeiro de junho, participa de um encontro do G8 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia).

O presidente do México, Vicente Fox – com quem Lula jantou na quinta-feira à noite antes do início oficial da cúpula do Grupo do Rio -, também vai à reunião. No jantar, Lula e Fox discutiram uma maior integração comercial entre os dois países, o futuro do Mercosul e a implantação da Alca.

Propostas

A delegação brasileira em Cuzco recebeu bem duas propostas apresentadas pelo presidente peruano, Alejandro Toledo. Ele sugeriu que parte dos juros que seriam pagos nos empréstimos externos seja investida em projetos de infra-estrutura regional, e que seja criado um órgão para realizar grandes obras na América Latina.

O ministro Celso Amorim disse que os presidentes devem formar grupos de trabalho para estudar as idéias mais a fundo.

– Um dos projetos tem um ponto em comum com um projeto brasileiro, que é o do uso do pagamento dos juros para projetos de infra-estrutura. Há fórmulas financeiras que estão sendo exploradas para fazer isso – afirmou Amorim.

Os presidentes protagonizaram uma cena divertida durante a sessão de fotos oficiais, entre as reuniões de trabalho. Todos seguravam com a mão direita o varayok, um bastão que receberam de presente do presidente peruano e que é o símbolo do poder inca, quando disseram “agora todos com a esquerda” e mudaram o bastão de mão.

No sábado, eles devem o Consenso de Cuzco, um documento com os resultados das reuniões de trabalho, a portas fechadas, que tiveram na sexta-feira. Em seguida, o presidente Lula faz o discurso de encerramento, participa de uma coletiva e embarca para Buenos Aires.

Neste domingo, na capital argentina, Lula participa da posse do presidente eleito, Néstor Kirchner.