Lula reorienta luta interna no PT

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Publicado segunda-feira, 19 de maio de 2003 as 15:02, por: cdb

O Senador Aluízio Mercadante afirma que não, mas a verdade é que muitos, dentro do governo e na sociedade, acharam que a crise da quase renúncia do líder do PT no senado, Tião Viana e do presidente do partido, José Genoíno, foi a causadora das turbulências que agitaram o mercado financeiro na semana passada. Segundo o senador, nessa mesma época, “teria havido uma reversão em todos os mercados emergentes”.
Entretanto, a versão que parece ter convencido a mais gente, inclusive ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi a de que o aumento na cotação do dólar e no risco Brasil, esteve associado ao conflito entre os que concordavam com a orientação dada pela direção no caso dos rebeldes da Câmara e do Senado, e os que achavam que a dose estava exagerada.
Para tentar inibir a possibilidade que outra “coincidência” dessa se repita, o presidente, em encontros com os principais líderes do partido e ministros, insistiu na necessidade de se tentar outra tática para lidar com os radicais: em vez do confronto, negociação. Lula manifestou a intenção de promover novas rodadas de conversas com a bancada e pediu aos ministros que fizessem o mesmo, no sentido de se buscar o convencimento.
O presidente não escondeu a insatisfação com os resultados da estratégia usada até agora para tentar conter a oposição interna, e teme que a crise do partido acabe neutralizando as conquistas do governo na área econômica.
Os indícios de que os novos rumos propostos à disputa interna foram aceitos, já podem ser observados. A estratégia de relação com os três parlamentares arredios, ao contrário do previsto inicialmente, não considera a punição com base apenas no parecer da Comissão de Ética, que vai se reunir domingo. E nem na próxima reunião da direção nacional, em junho.
A avaliação do comportamento da senadora Heloísa Helena e dos deputados Babá e Luciana Genro, só se dará em agosto, e se pautará pelos resultados das negociações pela permanência de todos e pelo comportamento observado durante o andamento das propostas de reforma no congresso.