Lula recebe medalha militar e acaba com polêmica

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Publicado quarta-feira, 10 de setembro de 2003 as 23:42, por: cdb

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta quarta-feira, na sala de audiências do Palácio do Planalto, a medalha da Ordem do Mérito Judiciário Militar, encerrando uma polêmica que surgiu há cinco meses.

Em fevereiro, Lula foi convidado para receber a medalha em abril, pelo então presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Olympio Pereira da Silva Júnior, mas o presidente deu um jeito de não comparecer à cerimônia na qual outros integrantes do governo fora homenageados.

Foi Olympio, em 1980, como promotor em Manaus que pediu a prisão preventiva do então sindicalista Lula e outros militantes, com base na Lei de Segurança Nacional, por estarem incitando a população em Brasiléia, no Acre, área sob a jurisdição dele. Na cerimônia realizada no Planalto, o presidente Lula fez questão de discursar e afirmar que recebia “esta comenda com orgulho”.

O ministro Olympio estava presente, mas não mais como presidente do tribunal. Os ministros do STM deixaram a solenidade convencidos de que, se houve algum ressentimento no passado, estava superado.O presidente, demonstrando não ter guardado mágoas, relatou partes do episódio.

Lula começou seu discurso contando que foi julgado pela Justiça Militar em 1980 e, depois, absolvido pelo STM, em Brasília, com o voto do então ministro-general Dilermando Gomes Monteiro. E relatou o ocorrido na ápoca: em 12 de abril de 1978 eclodiram as greves dos metalúrgicos do ABC e o então presidente da Fiesp, Luiz Eulálio Vidigal, procurou o general Dilermando, que era comandante do 2º Exército, para pedir que houvesse interferência das Forças Armadas para acabar com a greve.

Em seguida, Lula contou que pegou o telefone e ligou para o mesmo general dizendo que, queria apresentar a ele a versão dos metalúrgicos. No encontro dos dois, que durou três horas, o general lhe garantiu que não haveria interferência do Exército nas greves do ABC enquanto ele estivesse no cargo.

“E a verdade é que não houve. Só depois que ele se afastou”, comentou. “Depois, fui condenado a três anos e meio lá na Justiça Militar, em São Paulo, e fui absolvido, aqui em Brasília, com o voto do general Dilermando”, disse o presidente, para encerrar: “a justiça militar também tem um pouco de relação com a minha trajetória política”.