Lula quer reforma tributária no início do mandato

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Publicado terça-feira, 9 de abril de 2002 as 15:28, por: cdb

O pré-candidato do PT, Luís Inácio Lula da Silva, revelou que pretende realizar uma reforma tributária logo no início do seu mandato, caso seja eleito. No entanto, afirmou que não aceita críticas caso não seja bem sucedido. “A meta que iremos buscar é fazer a reforma Tributária no primeiro ano de governo, mas se não fizermos, ninguém tem autoridade para nos criticar, porque ela não foi feita em 100 anos”, afirmou. Lula voltou a afirmar que o PT pretende votar a manutenção da CPMF até 2004, sendo que neste ano ela teria a alíquota reduzida da atual 0,38% para 0,08%. “Precisa votar, porque precisamos arrecadar R$ 20 bilhões. Não achamos justo, para quem tomar posse, não ter esse R$ 20 bilhões”.
Lula, no entanto, acabou desautorizando o seu assessor econômico, professor Guido Mantega, que – em entrevista a revista Época – vinculou a extinção da CPMF à realização da reforma tributária. “O Mantega tem mais de 35 anos, fala por ele. Eu falo por mim e o Palocci fala pelo programa de governo”, afirmou Lula referindo-se ao prefeito de Ribeirão Preto, Antônio Palocci, que é o coordenador do programa de governo petista.
Lula reafirmou que, no governo petista, a CPMF iria só até 2004 e destacou a importância da reforma tributária. “Ela só não foi feita até agora porque o governo não quis. Existe um acordo entre todos os partidos e o Executivo impediu que essa proposta fosse votada”. Ele destacou ainda a desoneração de setores produtivos e da exportação, a melhor distribuição de renda e a justiça social, a desoneração da classe média assalariada e o fim dos impostos em cascata como eixos centrais da proposta de reforma tributária do PT. Segundo Lula, é preferível “cobrar menos e arrecadar mais do que ao contrário”. O candidato prevê ainda que – quando o PT ganhar a eleição para a presidência – haverá uma queda acentuada na sonegação de impostos por conta da diminuição alíquotas.

Jospin
Lula acredita que será improvável a presença do primeiro ministro francês, Leonel Jospin, na campanha petista. Lula viaja hoje para Paris para apoiar a candidatura à reeleição de Jospin, mas avalia que a contrapartida não ocorrerá. “Estou convencido de que o Jospin vai ganhar e um chefe de Estado não pode deixar seu país para fazer campanha para um candidato, não é ético”, disse Lula.
Lula classificou sua ida a Paris como um “compromisso histórico”. “Pretendo dar minha contribuição para que ele se eleja. Para nós, a vitória de Jospin é importante”, disse Lula. Ele acredita que o governo Jospin estabeleceria um fórum privilegiado para as relações políticas e comerciais entre a União Européia e o Mercosul.
Além disso, lembra Lula, o fortalecimento das relações comerciais com a União Européia deixaria o Mercosul em posição privilegiada para discutir a implantação da Alca. “Senão vamos ser anexados”. Sobre a aliança com o PL, ele voltou a afirmar que não está mais tratando desse assunto. “Meu papel é fazer campanha, quem está cuidando das coligações é o coordenador da campanha”, disse Lula, referindo-se ao deputado José Dirceu, presidente nacional do partido.