Lula quer Armínio longe do Banco Central

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Publicado sexta-feira, 17 de agosto de 2001 as 00:52, por: cdb

O presidente de honra do PT e virtual candidato à Presidência da República em 2002, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou na noite desta quinta-feira a disposição do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, de permanecer no cargo após o fim do governo Fernando Henrique Cardoso, caso o Congresso aprove a independência do BC. Lula classificou de “intromissão” a proposta de desvincular o Banco Central do governo federal.

“O Armínio tem mais é que trabalhar para este governo e, pelo amor de Deus, não se intrometer no que vai acontecer a partir de janeiro de 2003”, disse Lula, antes de participar de debate com sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em Brasília. “Não podemos aceitar que o governo tente mudar as regras quando o jogo está para terminar. Isso não aceitável no futebol nem na política”, criticou.

O provável candidato do PT à Presidência disse que a preocupação do governo Fernando Henrique é com a continuidade da política econômica externa do Brasil após as eleições do ano que vem. “O governo está comprometido com orientações do Fundo Monetário Internacional e tem medo que o próximo governo mude”, afirmou Lula.

Durante palestra para cerca de 400 sindicalistas no Congresso da CUT para os Trabalhadores do governo do Distrito Federal, Lula ironizou a proposta de independência do BC, apontando que o atual modelo já garante autonomia ao órgão. Ele citou como exemplo a venda de dólares abaixo do preço de mercado para os Bancos Marka e FonteCindam, em 1999, na época da desvalorização cambial. “Como pôde o Chico Lopes (ex-presidente do BC) emprestar R$ 2 bilhões para o Marka e o FonteCindam e o Malan (Pedro Malan, ministro da Fazenda) dizer que não sabia? Para que mais independência do que isso?”, provocou.

Segundo Lula, a proposta de autonomia do Banco Central tem como objetivo deixar o próximo governo de “mãos atadas”, para garantir que siga o receituário do FMI.

Lula criticou o governo federal por não conceder reajuste ao funcionalismo público em greve. Ele defendeu ainda a ampliação das bandeiras do movimento sindical, como uma ação política mais eficaz. Segundo o líder petista, os sindicatos devem agir diferentemente diante de um “governo de esquerda ou de direita”. “Não é por 5% de aumento que vamos comprometer nosso projeto de sociedade”, afirmou.