Lula pede encontro de chanceleres da América Latina para tentar evitar a guerra

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Publicado sexta-feira, 14 de fevereiro de 2003 as 19:51, por: cdb

Preocupado com os impactos que a iminente guerra entre os Estados Unidos e o Iraque podem trazer ao continente sul-americano e ao Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou a iniciativa de telefonar para três outros chefes de Estado da região para propor um encontro no qual se discuta como a América do Sul pode ajudar a evitar o conflito. “A ameaça de guerra já vem trazendo conseqüências negativas para a região. As conseqüências podem ser muito mais perversas do que vêm sendo até aqui”, disse o porta-voz da Presidência, André Singer.

Lula telefonou para Eduardo Duhalde (Argentina), Ricardo Lagos (Chile) e Lúcio Gutierrez (Equador) e propôs que o encontro reúna os chanceleres sul-americanos. Apesar da concordância em torno da preocupação com a guerra, não foram definidas nem a data nem o local da reunião. Segundo o porta-voz, o presidente Lula não manifestou nenhum temor específico em relação à guerra, apenas aos impactos já esperados na economia como o aumento do preço do petróleo e a flutuação cambial.

Questionado se o presidente havia entrado em contato com Vicente Fox (México), o porta-voz disse que, neste primeiro momento, o presidente mexicano não foi contatado porque Lula pretende discutir o assunto com os colegas da América do Sul. Sobre as ações que os países sul-americanos poderiam adotar para ajudar a evitar a guerra, Singer apenas afirmou que ainda não existe nada definido sobre medidas práticas como o envio de tropas de paz para a região no Oriente Médio.

Além da iniciativa regional, o presidente Lula também conversou, ontem, com Jacques Chirac (França) para manifestar seu apoio à posição oficializada pela França, Rússia e Alemanha contra a guerra, até que se apresentem provas irrefutáveis contra o ditador Saddam Hussein. Os três países europeus defendem a continuidade das inspeções dos peritos da Organização das Nações Unidas (ONU) no Iraque. Nenhum deles aceita rever a posição contrária ao ataque até que sejam apresentadas provas de que o Iraque produza armas de destruição em massa – tanto de origem química, biológica ou nuclear.

O encontro proposto pelo presidente não vai se resumir à questão da guerra no Iraque. Singer explicou que o presidente Lula também sugeriu que os chanceleres discutam a possibilidade da América do Sul apresentar uma proposta conjunta para a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). “Assim como defendeu na campanha e reafirmou depois de eleito, o presidente considera que as negociações serão melhores se os países sul-americanos estabelecerem uma plataforma conjunta”, disse.

Outra preocupação do presidente é com os conflitos na Colômbia. Lula enviou hoje carta ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, sugerindo que a instituição convoque os grupos armados da Colômbia para estabelecerem uma trégua nos conflitos e sentarem-se à mesa de negociação. “Essa posição, que está expressa na carta, expressa também a posição de outros presidentes sul-americanos que gostariam que o secretário-geral da ONU fizesse esse chamamento porque consideram que, ao fazer esse chamamento, ele poderia contribuir para ajudar no encaminhamento de uma resolução pacífica”, afirmou Singer. Além do presidente Lula, o presidente do Equador, Lúcio Gutierrez, também enviou carta à ONU com a mesma sugestão.