Lula pede avaliação ”cuidadosa” de concessões à União Européia

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Publicado quarta-feira, 6 de outubro de 2004 as 20:37, por: cdb

A ampliação do intercâmbio comercial do Mercosul com a União Européia (UE) foi o principal assunto de um encontro, nesta quarta-feira, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim; do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto; da Agricultura, Roberto Rodrigues; da Fazenda, Antonio Palocci; da Casa Civil, José Dirceu, e o interino do Desenvolvimento. Indústria e Comércio Exterior, Márcio Fortes. Na reunião foi avaliado o ritmo das negociações e a necessidade de deixar em aberto o prazo para o acordo final.

De acordo com Celso Amorim, o presidente Lula pediu que as negociações continuassem, mas alertou para a importância de uma avaliação “cuidadosa” de possíveis concessões. “O presidente lembrou que nessa negociação não podemos ver o interesse só desse ou daquele setor, temos que ver o conjunto dos interesses”, revelou o chanceler.

– Todos nós sabemos que a fome tem pressa, por exemplo. Mas, nesse caso, os calendários não podem passar por cima do conteúdo.

No dia 31 de outubro, os principais negociadores da União Européia serão substituídos. Com isso, é possível que alguns pontos da negociação tenham que ser rediscutidos. Atualmente, a avaliação dos países que compõem os dois blocos é a de que a abertura de mercado oferecida e as condições dessa abertura ainda são insatisfatórias.

Está previsto para os próximos dias um encontro entre o atual comissário de comércio da União Européia, Pascal Lamy, e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. “Houve uma sondagem a esse respeito e creio que o encontro acontecerá ainda este mês. Queremos demonstrar o nosso interesse continuado”, disse Amorim.

– As ofertas ainda são insuficientes, qualquer gesto adicional terá que ser condicionado a melhoras substantivas. Um acordo definitivo seria excelente. Mas, se não for possível, podemos deixar tudo encaminhado para continuarmos com a nova comissão – afirmou o chanceler.