Lula: “O Brasil é um país democrático, onde deve imperar a lei”

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Publicado segunda-feira, 17 de março de 2003 as 09:43, por: cdb

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou guerra ao crime organizado e ao tráfico de drogas, afirmando, neste domingo, que usará todos os organismos de segurança do Estado contra esses flagelos.

“Não podemos ficar de braços cruzados enquanto grupos de delinqüentes e narcotraficantes tentam instalar no país territórios livres de todo controle”, disse o presidente, numa entrevista.

Referindo-se ao assassinato, na sexta-feira passada, do juiz Antônio José Machado Dias, no estado de São Paulo, Lula afirmou que o crime foi “uma afronta à sociedade por parte do crime organizado”.

“O Brasil é um país democrático, onde deve imperar a lei”, acrescentou. “As organizações criminosas querem desestabilizar a democracia, criar insegurança na população e ditar leis nos lugares onde operam”.

O presidente da República informou ter instruído o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, a intensificar as investigações para deter os assassinos e aplicar rigorosamente a lei, principalmente em áreas onde operam traficantes.

O diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, disse, por sua vez, que os investigadores já “contam com pistas para deter os assassinos”.

Lacerda acrescentou que existem várias hipóteses para o assassinato, incluindo a possibilidade de o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, ter ordenado o crime.

Beira-Mar foi transferido do Rio de Janeiro para a penitenciária de segurança máxima de Presidente Bernardes, no interior de São Paulo, em 27 de fevereiro passado.

Beira-Mar exigiu um tratamento especial, incluindo permissão para visitas íntimas e refeições dos melhores restaurantes, o que lhe foi negado por Machado Dias.

Lacerda disse que outra hipótese seria que o assassinato do juiz tivesse sido obra do chamado Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores organizações criminosas em São Paulo e em todo o país.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Rubens Aprobatto, exigiu do Estado o maior rigor possível na aplicação da lei.

“Ingressamos em estado de barbárie, com a máfia ditando leis e atemorizando a população e suas autoridades”, alertou.