Lula nega ter usado o “é dando que se recebe”

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Publicado quinta-feira, 4 de setembro de 2003 as 23:17, por: cdb

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que não houve o “é dando que se recebe” para conseguir aprovar a reforma tributária em primeiro turno na Câmara. Ele também que o governo continuará negociando quando o texto chegar ao Senado.

– Os que criticam os acordos que fazemos são os mesmos que nos chamariam de inábeis se não fizéssemos o acordo -, disse em discurso na abertura da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.

O presidente ressaltou as discussões, no Conselho, das questões importantes do país. E lembrou que o governo tem feito a parte dele, na medida em que discute a liberação de linhas de crédito e acordos como o realizado com o setor automotivo, que reduziu o IPI para estimular a venda de carros. Para o presidente, o governo precisa fazer tudo dentro da lógica, “porque muita gente acredita que a democracia é ruim, mas ainda não acharam um regime melhor”. Numa referência à votação do relatório da reforma tributária, na madrugada, dirigiu-se aos parlamentares integrantes do Conselho e afirmou que “no regime militar você não precisava ficar até três horas para votar”.

Lula disse que no Brasil existem problemas que não serão resolvidos por nenhum governo, mas sim quando a sociedade quiser. E convocou empresários a seguirem a proposta da Coca-Cola, de fornecer refeição popular ao custo de R$ 1,00, tendo como contrapartida R$ 1,80 da empresa. “Se cada industrial parasse de falar e pensasse no que pode fazer, o país seria melhor”, afirmou, ao sugerir que cada uma das 4,200 milhões de empresas fornecesse uma cisterna para as comunidades do Nordeste. “É preciso fazer uma revolução de comportamento. Não é possível estabelecer apenas uma relação contábil. Os dirigentes não podem pensar mais só com a cabeça, mas com o coração, com sentimentos”, disse.

Lula disse estar feliz porque o Congresso Nacional se portou com a “grandeza que a sociedade brasileira esperava”. Destacou a atuação dos deputados e também dos governadores. “Foi importante e vai ser importante a participação dos governadores, pois vamos ao Senado e voltamos à Câmara”, disse Lula.

Depois de votada duas vezes pelos deputados, a reforma será encaminhada ao Senado. Como o texto deverá receber ajustes, terá obrigatoriamente que retornar à Câmara. Para que seja concluída a primeira votação na Câmara, resta ainda a votação de oito destaques e 40 emendas aglutinativas (conjunto de emendas).

Lula disse ainda que a participação do governo nas negociações foi importante para tramitação da reforma na Câmara. “Foi muito importante a capacidade de negociação mostrada pela Casa Civil, pelo ministro José Dirceu, e também pelo ministro Palocci [Antonio, Fazenda]”, afirmou.

Em suas tradicionais metáforas, mandou um recado aos que reivindicam aumento das receitas com a reforma, comparando a discussão em torno da tributária com o “aperto” na casa de um assalariado. Segundo ele, nos dois casos todos querem mais recursos, mas ninguém sugere de onde tirar mais dinheiro. “Muitos dizem o quanto querem, mas não há quem diga de onde tirar o dinheiro.”

Ao final, citou o exemplo do pé de jabuticaba que plantou no Palácio da Alvorada, e que para dar frutos precisou ser regado. “Daqui a pouco trarei um monte de jabuticabas para vocês”, disse.