Lula fica insatisfeito com declarações do Ministro da Educação

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Publicado terça-feira, 18 de março de 2003 as 09:42, por: cdb

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não gostou das observações e sugestões do ministro da Educação, Cristovam Buarque, sobre a experiência do vale-alimentação, comandada por seu colega José Graziano, ministro da Segurança Alimentar. E pretende expor sua insatisfação com o comportamento de Cristovam na reunião ministerial de quarta-feira, ainda que discretamente.

O provável “puxão de orelhas” não chegará a causar uma crise no governo, mas o mal-estar será inevitável e a bronca presidencial já está sendo considerada “injusta” por outros ministros. Na interpretação de um deles, Cristovam não invadiu a área de Graziano, ao propor que os R$ 50 do vale-alimentação fossem incorporados ao Programa Bolsa-Escola, do Ministério da Educação, que distribui renda para 5 milhões de famílias carentes do País.

Afinal, o Programa Fome Zero é constituído por cerca de 60 ações que são comandadas pelos mais variados ministérios – entre eles o bolsa-escola de Cristovam -, e não apenas pelo da Segurança Alimentar (Mesa) de Graziano.

O próprio Bolsa-Escola é tido por Lula como um dos mais importantes programas do Fome Zero, embora não tenha sido inventado pelo atual governo. Foi criado durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Paga R$ 15 para cada criança que freqüente da 1a à 8a série, com o máximo de R$ 45 por família.

Cristovam entende que, se os R$ 50 do cartão-alimentação fossem incorporados ao Bolsa-Escola, não seria necessário dar início a mais um programa, experimentalmente executado em Acauã e Guaribas, no Piauí, com possibilidade de ser estendido para mais 150 a 200 cidades nos próximos meses. Se utilizasse a estrutura do Bolsa-Alimentação, o governo gastaria menos para fazer o dinheiro chegar às famílias carentes.

De acordo com um boletim distribuído pelo Palácio do Planalto em janeiro, no dia em que Lula lançou o Fome Zero, o projeto é composto por dezenas de ações divididas em três grupos de políticas: estruturais, específicas e locais. Entre elas, além do Bolsa-Escola e do cartão-alimentação, foram citados o aumento do salário mínimo (que depende de projeto de lei do presidente da República), o primeiro emprego do Ministério do Trabalho, a recuperação da política habitacional do Ministério das Cidades, a reforma agrária, políticas para a agricultura familiar, a merenda escolar, os bancos de alimentos e os restaurantes populares.

Ao todo, o Fome Zero dispõe de cerca de R$ 5 bilhões para este ano, sendo que R$ 1,8 bilhão foram reservados para o cartão-alimentação.