Lula: Estamos perdendo a luta pela paz

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Publicado terça-feira, 21 de setembro de 2004 as 11:51, por: cdb

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu nesta manhã de terça-feira a 59ª Assembléia Geral da ONU com um discurso duro ao capitalismo que “busca ganhos a qualquer custo”. Lula afirmou que o mundo está “perdendo a luta pela paz”, defendeu o combate ao terrorismo não só pela força e pediu ao FMI para facilitar as negociações com países mais pobres.

– O FMI deve oferecer o aval a investimentos necessários à infra-estrutura e facilitar o pagamento das dívidas dos países mais pobres – disse o presidente, na tribuna da sede da ONU, em Nova York. – Hoje, em 54 países, a renda per capita está menor que há dez anos (…) e a falta de saneamento básico já matou mais que a segunda guerra mudial.

Em outro momento, Lula ressaltou a importância dos valores humanos também como arma de defesa contra o terrorismo:

– Só os valores do humanismo praticados com determinação podem deter a barbárie. Se queremos a paz, devemos contruí-la. Se queremos exterminar as violências, devemos analisar suas profundezas.

O presidente destacou a importância do crescimento dos países sem prejudicar a natureza.

– É possível conciliar natureza e ética por meio de desenvolvimento sustentável. A natureza não pode ser degradada atrás de ganhos a qualquer custo.

Lula falou sobre aspectos sociais, econômicos e políticos para chefes de 192 países-membros e concluiu o seu discurso com uma passagem bíblica: 

– A paz só virá como fruto da justiça – concluiu Lula em seu discurso.

 Conselho de Segurança

Para o Brasil, a discussão sobre a reforma do Conselho de Segurança é um dos temas mais importantes na ONU, já que o país quer uma vaga permanente no órgão. Segundo assessores do governo brasileiro, o presidente da França, Jacques Chirac, declarou total apoio à pretensão do Brasil.

Ao fim da assembléia, o presidente Lula tem uma reunião com os líderes do Japão, da Alemanha e da Índia. As quatro nações formaram o G-4, um grupo de quatro países que compartilham a intenção de conseguirem uma vaga no Conselho de Segurança.