Lula e Lozada firmam documento conjutos após reunião

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Publicado terça-feira, 29 de abril de 2003 as 09:12, por: cdb

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Gonzalo Sánchez de Lozada, da Bolívia, reuniram-se nesta segunda-feira, para definir questões referentes ao gás importando pelo Brasil.

Um financiamento de US$ 600 milhões para obras de infra-estrutura na Bolívia poderá ser aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A verba destinada ao país vizinho beneficiará o Brasil, que a partir da construção de gasodutos poderá receber o combustível boliviano.

“A Bolívia tem especial interesse na questão da infra-estrutura”, disse Lozada em seu discurso no Itamaraty. Ele destacou que as novas hidrovias são a esperança da Bolívia de uma saída para o mar.

O BNDES analisará o financiamento em conjunto com a Corporação Andina de Fomento (CAF).Já o cancelamento da dívida da Bolívia com o Brasil deverá ocorrer em maio, depois dos entendimentos das equipes econômicas dos dois países.

A viabilidade técnica e econômica para a conversão de gás natural em gás de cozinha e energia elétrica também foi questão discutida durante a reunião entre os presidentes e ministros.

O projeto seria possível a partir da instalação de um pólo petroquímico binacional na região da fronteira.

Além disso, os dois presidentes assinaram acordo que vai permitir a construção de ponte entre as cidades de Cobija, na Bolívia, e Brasiléia, no Acre.

Lula e Lozada pretendem concluir obras de ligação rodoviária entre as duas nações.

Outro tema abordado foi a urgência de uma zona de livre comércio entre a Comunidade Andina e o Mercosul.

No Palácio do Itamaraty, a Bolívia se comprometeu a apoiar a inclusão do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O presidente brasileiro mostrou-se grato pelo apoio da Bolívia a sua atuação e declarou a necessidade de reforma na ONU, principalmente depois do conflito no Iraque.

“O Brasil não irá envergonhar nenhum país da América do Sul”, declarou Lula, ao mencionar uma possível aprovação do país no Conselho das Nações Unidas.

A ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, e o presidente da Petrobrás, José Eduardo Dutra, participaram dos debates entre os dois presidentes a respeito do valor cobrado pelo gás boliviano.

Os presidentes afirmam no documento conjunto divulgado após o encontro que o acordo de compra e venda não apenas vai continuar, como é de “longo prazo”. No entanto, o Brasil pretende renegociar o preço do produto.

Medidas de combate ao tráfico de drogas nas fronteiras estiveram entre os assuntos tratados pelos dois países, que firmaram acordo para coibir as ações criminosas.

A possibilidade de restituição de veículos roubados ou furtados ainda está em fase de acertos.

Lula quer facilitar o acesso da Bolívia às informações geradas pelo Sistema de Vigilância da Amazônia.

Este é o terceiro encontro entre o Lula e presidentes da América Latina no mês de abril.

Na semana passada, o venezuelano Hugo Chávez esteve no Brasil para discutir o fortalecimento dos vínculos entre a Comunidade Andina e o Mercosul, além de uma colaboração entre os dois países na exploração do petróleo.

Já o peruano Alejandro Toledo tratou, no dia 11, da construção de uma ponte que ligará os municípios de Assis Brasil, no Acre, e de Iñapari, no Peru.

Lula deverá encerrar no dia 27 de maio,o ciclo de encontro com governantes da América do Sul.