Lula e Fernando Lugo se encontram para debater questões de fronteira

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Publicado quinta-feira, 29 de abril de 2010 as 11:51, por: cdb

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega paraguaio, Fernando Lugo, têm reunião marcada nesta segunda-feira para ajustar as questões de segurança na fronteira entre os dois países. A ação de grupos guerrilheiros e narcotraficantes, que há anos persiste na região, exarcebou-se com o atentado ao senador governista Roberto Acevedo, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA). O mandatário brasileiro repudiou o ataque ao político, que resultou na prisão de dois brasileiros suspeitos, e afirmou que discutirá a situação da fronteira em encontro com o presidente paraguaio.

– Eu pretendo na segunda-feira encontrar com o presidente (paraguaio Fernando) Lugo e conversar muito seriamente sobre o que está acontecendo na fronteira entre Brasil e Paraguai – afirmou Lula, acrescentando que deve anunciar medidas comuns com Lugo sobre a questão, sem dar mais detalhes.

O carro do senador Acevedo foi alvo de disparos na segunda-feira na cidade de Pedro Juan Caballero, capital do Departamento de Amambay, área de tráfico de drogas na fronteira com o Brasil. Duas pessoas morreram no ataque.

– Eu acho uma insanidade alguém achar que utilizando a violência, como foi utilizada no Paraguai, atirando no senador e matando o segurança do senador ou ameaçando … venha colocar medo no Estado brasileiro e no Estado do Paraguai – afirmou Lula aos jornalistas, na tarde passada.

Segundo a polícia paraguaia, os brasileiros presos seriam de São Paulo e podem estar vinculados a grupos criminosos ligados ao tráfico de drogas que operam no Brasil.

– Até a questão do refúgio nós vamos ter que discutir com o presidente Lugo – acrescentou o presidente, se referindo a três supostos guerrilheiros paraguaios refugiados no Brasil desde 2003.

O Paraguai alega que eles seriam integrantes do grupo armado Exército do Povo Paraguaio (EPP). Na próxima segunda-feira, a reunião entre Lula e Lugo será em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul. A ação de um grupo armado no norte do Paraguai levou Lugo a declarar estado de exceção para poder mobilizar na segunda-feira cerca de 1.000 militares e policiais para a região, onde o EPP teria operações.

Alta do hospital

O senador Acevedo recebeu alta do hospital em que estava, nesta quinta-feira, de acordo com informações do jornal paraguaio ABC. Acevedo foi vítima de um ataque na segunda-feira, em Pedro Juan Caballero. A cidade paraguaia, capital do departamento (Estado) de Amambay, faz fronteira com Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. Acevedo chegou a dizer que poderia deixar a cidade, mas agora afirma que continuará lá. Seus médicos disseram que ele deve repousar mais alguns dias, segundo o jornal paraguaio. Um motorista dele e um guarda-costas morreram no ataque.

Ainda na véspera, um contingente militar chegou a Pedro Juan Caballero para ajudar a garantir a segurança na cidade. O ABC informou que são 150 agentes, que realizam patrulhas desde a noite passada. O envio dos militares foi uma ordem do presidente Fernando Lugo, que visitou ontem a cidade e se encontrou com Acevedo.

Prisões

Nesta semana, quatro brasileiros foram presos como suspeitos de envolvimento no ataque. O ABC citou os detidos como “supostos integrantes” do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que atua em presídios.

Amambay é um dos cinco departamentos paraguaios onde vigora desde domingo o estado de exceção, tomado para facilitar que as forças oficiais prendam membros do grupo Exército do Povo Paraguaio (EPP). A organização é responsabilizada por ataques contra as forças de segurança e também vários sequestros pelo país.