Lula é considerado réu e entra na alça de mira do juiz Sérgio Moro

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Publicado sexta-feira, 29 de julho de 2016 as 16:38, por: cdb

A denúncia contra o ex-presidente Lula foi apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no início deste ano

 

Por Redação – de Brasília

 

O relatório da Procuradoria-Geral da República que acusa o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-senador Delcídio do Amaral e outras cinco pessoas de tentativa de obstrução da Justiça foi aprovado, nesta sexta-feira, pela Justiça Federal de Brasília. A decisão transforma Lula em réu e abre a possibilidade de prisão imediata do líder petista, que entra definitivamente na alça de mira do juiz Sergio Moro, chefe da Operação Lava Jato, em Curitiba. Todos são acusados de tramar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, que acabou cedendo à oferta de delação premiada, formulada por parte do juiz Moro.

Ex-presidente Lula da Silva
Ex-presidente Lula chegou a ser nomeado ministro da Casa Civil do governo Dilma

A denúncia contra o ex-presidente foi apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no início deste ano, sustentada em acordo de delação com o ex-senador Amaral. O processo corre na Justiça de Brasília desde a edição do golpe de Estado, em 13 de Junho último, que retirou do ex-presidente o foro privilegiado no STF. Nessa mesma ação constam o pecuarista José Carlos Bumlai, o filho dele, Maurício Bumlai, o banqueiro André Santos Esteves, o ex-assessor de Amaral citado na denúncia, Diogo Ferreira, e o advogado Rodriguez Edson Siqueira Ribeiro Filho, que atuou como defensor de Cerveró.

Procurador da República no Distrito Federal, o promotor Ivan Cláudio Marx alterou a peça inicial para ampliar a descrição dos fatos e as provas que envolvem os acusados. Cabe, ainda, ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região definir o juiz titular da ação. A denúncia estava com o juiz Ricardo Leite, que atuava na Operação Zelotes mas terminou afastado após uma série de irregularidades na condução da Justiça. Os defensores dos réus foram unânimes em pedir a redistribuição dos autos.

Lula nega contato

Na denúncia, a PGR indica ao STF que Lula “impediu e ou embaraçou investigação criminal que envolve organização criminosa, ocupando papel central, determinando e dirigindo a atividade criminosa praticada por Delcídio do Amaral, André Santos Esteves, Edson de Siqueira Ribeiro, Diogo Ferreira Rodrigues, José Carlos Bumlai, e Maurício de Barros Bumlai”. A pena requerida por obstrução da Justiça é de reclusão, entre três e oito anos. Nos autos, os investigadores juntaram e-mails, extratos bancários, telefônicos, passagens aéreas e diárias de hotéis.

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não havia concluído a nota que pretende divulgar, nas próximas horas, mas em depoimento à PGR, Lula garante que jamais discutiu com Delcídio a tentativa de obstruir a delação de Cerveró. A defesa de José Carlos Bumlai também nega as acusações.

A defesa de André Esteves declarou que ele não cometeu nenhuma irregularidade. Segundo o advogado do banqueiro, Antônio Carlos de Almeida Castro, a confirmação da denúncia “era tecnicamente esperada”, embora a defesa de Esteves esperasse que o cliente fosse excluído da denúncia, uma vez que outros denunciados como pretensos participantes do ilícito penal não foram citados.

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