Lula discute com empresários reformas e taxas de juros

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Publicado quarta-feira, 21 de maio de 2003 as 15:57, por: cdb

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta quarta-feira, 10 dos maiores empresários brasileiros, incluindo Antônio Ermírio de Moraes, do Grupo Votorantim, e Jorge Gerdau, do Grupo Gerdau, para discutir temas como as reformas previdenciária e tributária e as taxas de juros em vigência no país.

Antes da reunião, Antônio Ermírio anunciou que aproveitaria a reunião para defender uma queda da taxa de juros.

“Já está na hora de os juros caírem”, afirmou o empresário, acrescentando que o setor privado está disposto a firmar parcerias com o governo para ajudar a promover o desenvolvimento do país.

– Vamos ver qual parceria o presidente vai propor. Nós somos brasileiros, nós queremos o bem do Brasil -, concluiu.

Gerdau, por sua vez, afirmou que não falaria de juros com Lula, mas também defendeu a queda na taxa básica.

– Sem baixar os juros é muito difícil retomar o crescimento. O juro hoje é recessivo – afirmou.

De nada adiantaram os apelos dos empresários. Cerca de duas horas após o encontro, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu manter a taxa de juros básicos da economia brasileira, a Selic, em 26,5% ao ano, alegando que a inflação ainda não cedeu o suficiente.

Participaram da reunião, no Palácio do Planalto, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e, além de Antônio Ermírio e Gerdau, os empresários Lázaro Brandão (Bradesco), Emílio Odebrecht (Grupo Odebrecht), Alain Belda (Vale do Rio Doce), Ivoney Ioschpe (Grupo Ioschpe), Armando Monteiro, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Vice também critica juros

Na noite da última terça-feira (20), o vice-presidente da República, José Alencar, voltou a criticar as taxas de juros no país, durante um discurso para prefeitos do interior de Minas Gerais.

– Um terço de toda a arrecadação nacional no primeiro trimestre foi para juros. Se não temos coragem para defender o nosso país, então devemos pedir desculpas pela nossa eleição aos 175 milhões de brasileiros aos quais devemos satisfação -, declarou o vice.

Apesar da pressão da indústria, com as vendas para o mercado interno em queda por conta do juro alto, o presidente do BC, Henrique Meirelles, já havia dado sinais, na última segunda-feira (19), de que a Selic não deverá baixar.

Segundo Meirelles, a inflação é a “uma ameaça” e “uma febre” que deve ser dizimada para não se tornar um problema crônico.