Lula critica privilegiados da prática de financiamento do BNDES

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 10 de março de 2003 as 19:15, por: cdb

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente nesta segunda-feira a prática de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que privilegiaria poucos em detrimento das pequenas empresas.

“A indústria só vai crescer se o BNDES tiver a competência de distribuir o pouco dinheiro que tem pra todos, e não para meia dúzia de apadrinhados que conseguem pegar quase todo dinheiro de financiamento”, afirmou o presidente.

Lula defendeu mais recursos para as pequenas e médias empresas de olho na geração de empregos, uma “obsessão” do governo. Ele falou durante abertura oficial da nona edição da Brasilplast, terceira maior feira da indústria de plásticos do mundo. A feira reúne 1.200 expositores em 75 mil metros quadrados do Anhembi, em São Paulo.

Depois, na inauguração de uma unidade de resinas plásticas da empresa Polibrasil, no município paulista de Mauá, o presidente prometeu apoio do banco de fomento à indústria brasileira.

“Naquilo que o governo federal puder contribuir para o desenvolvimento da indústria brasileira, pode ficar certo que o BNDES não vai faltar com os empreendimentos de que o Brasil necessita”, disse a uma platéia de empresários.

PLÁSTICO

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, afirmou na Brasilplast que o BNDES vai aumentar o volume de empréstimos ao setor de plásticos este ano. Em 2002 foram financiados 444 milhões de reais para a compra de máquinas.

“Este ano o número deverá crescer porque a demanda continua muito grande”, afirmou Furlan. O ministro e representantes do setor privado vão se reunir no final do mês para discutir a competitividade do setor.

Os empresários apresentaram recentemente a Furlan o projeto “ExportPlastic”, que prevê a reversão do déficit comercial de 377 milhões de dólares do ano passado. A meta é chegar a um superávit de cerca de 1 bilhão de dólares até 2008. O setor gera 718 mil empregos, com faturamento de 7,2 bilhões de reais.

“Nosso objetivo é exportar produtos com maior valor agregado. Até agora, o Brasil participou com fatia extremamente insignificante nesse mercado”, afirmou o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Plástico (Abiplast), Merheg Cachum.