Lula afirma que somente conversará com FMI depois de eleito

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Publicado sábado, 20 de julho de 2002 as 15:18, por: cdb

Em entrevista após um comício em São Bernardo do Campo, onde começou a carreira de metalúrgico, o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, declarou que não concorda com a proposta feita pelo atual governo, segundo a qual os “presidenciáveis” deveriam assinar uma carta de intenções com o Fundo Monetário Internacional (FMI), assumindo compromissos de manter as metas de inflação e o superávit básico da economia.

“Não converso nada com o FMI antes de ser eleito”, declarou Lula, deixando claro que, se ganhar as eleições, aceitará manter conversações.

Outros dois candidatos à sucessão presidencial – Ciro Gomes, do Partido Popular Socialista (PPS), e Anthony Garotinho, do Partido Socialista Brasileiro (PSB) também disseram que que se recusam a aceitar a proposta.

Saudade

O comício em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, foi marcado pela emoção. Lula chorou ao falar aos seus companheiros da Volkswagen, tendo ao lado o companheiro de chapa, o senador do Partido Liberal José Alencar, um dos maiores empresários brasileiros do setor têxtil.

“Minha cabeça começou a girar e voltei a 1975, a 1978, e lembrei como era difícil entrar na fábrica. Nós tínhamos que esconder os boletins do sindicato nas meias e dentro da roupa para poder entrar”, disse.

Lula prometeu aos metalúrgicos maior geração de empregos e diálogo. O candidato também se encontrou com os diretores da montadora alemã.

O presidenciável lembrou-se da campanha de 1994, em que tentou se eleger presidente, pela segunda vez consecutiva, concorrendo com Fernando Henrique Cardoso, que acabou conquistando na ocasião seu primeiro mandato.

“Em 1994, eu disse que criaria oito milhões de empregos. Fernando Henrique disse que criaria 12 milhões, e gerou 12 milhões de desempregados”, criticou. O segundo mandato de FHC começou em 1998.

Lula evitou calçar “sapato alto”, recordando-se do que ocorreu com o próprio FHC em 1986, quando o então candidato à prefeitura de São Paulo sentou-se na cadeira de prefeito para posar para os jornalistas antes das eleições, acreditando em uma vitória sobre o candidato Jânio Quadros, que acabou vencendo o pleito.

“Não farei como ele, que se sentou na cadeira antes da hora e perdeu as eleições para prefeito de São Paulo”, declarou.