Light não tem capacidade para cortar luz de quem excedeu a taxa de consumo

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Publicado quarta-feira, 8 de agosto de 2001 as 11:21, por: cdb

Quem não conseguiu atingir as metas previstas no plano de racionamento de energia do governo, não precisa perder o sono. Pelo menos no Rio de Janeiro. A concessionária, que tem 3,4 milhões de clientes na região metropolitana, afirmou que a sua capacidade física de corte está esgotada.

– Não é interesse da Light cortar a luz de ninguém que ultrapassar a meta. A Light está cumprindo a ordem do governo, só que as resoluções do CGCE (Comitê Gestor da Crise de Energia) não mostram um percentual claro de corte. Isso fica a critério da empresa, de acordo com a sua capacidade de operação. É muito vago. Já que é vago… – desconversa o superintendente da Light, Ernesto Haikewiesth.

Segundo ele, a capacidade de corte atual da Light é de 200 mil clientes por mês, o que corresponde exatamente ao número mensal de inadimplentes. Ultrapassaram a meta de consumo de energia em junho e estão sujeitos ao corte em agosto outros 498,4 mil clientes. Pelas regras do ”ministério do apagão”, sofrerão cortes os clientes que consumirem acima da meta por duas vezes.

De acordo com Haikewiesth, a Light não planeja investir na expansão da capacidade de corte para atingir os que descumprirem o racionamento, nem pretende deixar de interromper o fornecimento de energia dos clientes que não pagam as contas. ”Se a Light não cortar o cliente inadimplente, ninguém mais pagará a conta.”

A distribuidora se apega à brecha da medida provisória do racionamento, que deixa por conta da empresa a determinação sobre o tamanho do corte.

A Anacont (Associação Nacional de Assistência ao Consumidor e Trabalhador) entrou ontem com uma ação civil coletiva na Justiça Federal do Rio contra a União e as distribuidoras de eletricidade Light e Cerj, para obrigá-las a pagar bônus a todos os consumidores que economizaram além da meta estabelecida.

A ação visa a garantir os direitos de consumidores residenciais, industriais e comerciais. A Light e a Cerj disseram que não pagarão bônus para quem gasta mais de 100 kWh por mês porque não arrecadaram o suficiente com a sobretaxa cobrada dos clientes que não atingiram a meta.