Ligação com morte de premier desfaz força de elite sérvia

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 25 de março de 2003 as 18:49, por: cdb

O Governo da Sérvia ordenou nesta terça-feira, a dissolução da Unidade de Operações Especiais (JSO) de sua polícia, depois que seus comandantes foram detidos por suspeita de terem assassinado o primeiro-ministro Zoran Djindjic

A decisão foi tomada em uma sessão extraordinária do Executivo “depois das últimas revelações dentro da investigação” do atentado contra Djindjic, no último dia 12 em Belgrado.

Horas anetes, o Governo informara que o sub-comandante da JSO, Zvezdan Jovanovic, foi detido na última segunda-feira por suspeita de ter matado Djindjic, atingido por um tiro de fuzil quando entrava na sede do Governo.

Também foi suspenso e detido o comandante da JSO, Dusan Maricic, por envolvimento com o “clã de Zemun”, a maior organização mafiosa de Belgrado, e que o Governo responsabiliza pelo assassinato do primeiro-ministro.

Junto com eles foi detido outro membro da JSO, Sasa Pejakovic, que é suspeito de ter participado diretamente no atentado a Djindjic.

O Governo atribuiu o crime à organização de mafiosos “clã de Zemun” liderada pelo ex-comandante da JSO, Milorad Lukovic, conhecido como Legija, que ainda está foragido.

Entre os 1.075 presos até agora na investigação do atentado contra o primeiro-ministro estão o ex-chefe de segurança do Estado da Sérvia Jovica Stanisic, que de 1992 até 1998 foi o “braço direito” do ex-presidente Slobodan Milosevic, e o primeiro comandante da JSO Franko Simatovic, conhecido como Frenki.

Stanisic e Simatovic fundaram esta unidade de elite, popularmente conhecida com “boinas vermelhas”, em 1991, e sobre ela existem poucos dados oficiais.

A imprensa sérvia afirma que ela foi formada por criminosos que anteriormente tinham colaborado com a polícia e que eram encarregados de “tarefas especiais” durante as guerras da Croácia, Bósnia e Kosovo.

A formação era parte do Departamento de Segurança do Estado do Ministério do Interior da Sérvia até novembro de 2001, quando seus membros se rebelaram porque lhes foi ordenado que prendessem supostos criminosos da guerra servo-bósniana.

A unidade, que tinha sua sede na cidade de Kula (norte), foi então submetida ao comando do Departamento de Segurança Pública do Ministério do Interior.

O Governo informou nesta terça-feira que a polícia será encarregada da vigilância da sede da JSO, de suas armas e equipes.

A imprensa sérvia informou que policiais já entraram esta tarde na base de Kula, uma hora antes de o Executivo tornar pública sua decisão.