Líder xiita diminui importância das declarações de Shallan

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Publicado sábado, 22 de janeiro de 2005 as 18:01, por: cdb

O líder xiita iraquiano Ahmad Chalabi diminuiu importância, neste sábado, às declarações do ministro iraquiano da Defesa, Hazem Shalaan, que anunciou que o multimilionário será detido nos próximos dias.

– É um assunto que está fora de sua competência. Só tenta responder com insultos às explicações que lhe foram solicitadas. –  declarou Chalabi à rede de televisão por satélite Al Jazira.

O mesmo canal divulgou hoje uma entrevista na qual o ministro Shaalan assegurava que o político xiita, candidato às eleições de 30 de janeiro, será detido uma vez terminada a Aid al-Adha, ou festa muçulmana do Sacrifício, e entregue à Interpol.

Entre as razões apresentadas pelo ministro, estava uma suposta conspiração do multimilionário para desprestigiar o Ministério comandado pelo próprio Shaalan, primo do primeiro-ministro interino iraquiano, Iyad Allawi.

– Não quero entrar em polêmicas verbais com o ministro da Defesa, mas há questões sobre sua conduta passada e atual, em relação a fundos, que o povo tem que conhecer. – disse Chalabi.

– O povo não gosta dos insultos, porque não se ajustam à realidade. -ressaltou o multimilionário antes de afirmar que não se sente preocupado pela advertência de Shaalan.

Chalabi denunciou que o ministro da Defesa se apropriou de forma indevida de 500 milhões dos cofres do Ministério e publicou uma série de documentos em uma página na Internet que vinculam Shaalan com o ex-presidente Saddam Hussein.

– Ele não acusou ninguém em particular. Só disse que centenas de milhões de dólares foram transportados por avião e pediu que isso seja investigado. – afirmou hoje Haidar al-Musawi, porta-voz do grupo político de Chalabi.

O polêmico xiita foi durante anos o líder da oposição iraquiana no exílio, financiada por Washington, e depois fez parte do Conselho de governo interino que os EUA auspiciaram depois da queda do tirano, até que perdeu o apoio da Casa Branca após a saída do ditador.

Ele tem contra si uma ordem internacional de busca e captura solicitada pelo governo jordaniano, que lhe acusa do roubo de dezenas de milhões de dólares e de causar a falência, em 1989, do banco Petra, que ele mesmo comandou.