Líder do Hamas promete lutar depois da queda de Saddam

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Publicado quinta-feira, 10 de abril de 2003 as 12:23, por: cdb

Militantes palestinos prometeram nesta quinta-feira intensificar os ataques a Israel após a ocupação de Bagdá pelas tropas norte-americanas. Eles se consideram a última esperança dos árabes contra o poderio militar dos Estados Unidos e de Israel no Oriente Médio.

Abdel Aziz Al Rantissi, um dos líderes políticos do grupo islâmico Hamas, se disse chocado com a rápida conquista de Bagdá pelas tropas ocidentais, mas afirmou que isso não vai prejudicar a rebelião palestina, que já dura 30 meses.

“Haverá uma mudança. A resistência vai aumentar, e nós vamos nos tornar mais violentos. A resistência na Palestina nunca vai parar, porque é a última esperança que resta para toda a nação árabe e muçulmana”, disse ele na Cidade de Gaza.

O Hamas não executou nenhum atentado desde o início da guerra no Iraque, há três semanas, mas seus líderes prevêem que a calma não vai durar, já que, segundo eles, Israel prepara uma grande ofensiva contra a Cisjordânia e a Faixa de Gaza após a guerra. “A Palestina é diferente de Bagdá. A resistência aqui é diferente, e os exemplos estão na nossa frente – as honoráveis batalhas de Jenin, Nablus, Jabalaya e todos os outros campos de refugiados”, disse Abdallah Al Shami, líder do grupo Jihad Islâmica.

Muitos palestinos são gratos a Saddam Hussein pela ajuda financeira e política que ele dava à revolta contra Israel. Eles viram chocados, pela TV, as tropas norte-americanas invadindo Bagdá sem resistência e ajudando uma multidão eufórica a derrubar a estátua do ditador.

Líderes radicais palestinos atribuíram essa queda fácil à indiferença dos demais países árabes, que teriam se alinhado secretamente com Washington por motivos econômicos. Eles disseram que os iraquianos que receberam os invasores de forma eufórica são uma minoria. “Os iraquianos estão vivendo um duplo choque agora, com o colapso do regime de Saddam e com a chegada dos invasores dos EUA. Em breve, quando eles perceberem o que aconteceu ali e abrirem os olhos para o lado feio da ocupação, a resistência vai aparecer”, disse Shami.