Líder de ocupação é sexto assassinado em áreas rurais no Pará desde maio

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Publicado quinta-feira, 25 de agosto de 2011 as 17:18, por: cdb

Líder de ocupação é sexto assassinado em áreas rurais no Pará desde maio

Por: Virginia Toledo, Rede Brasil Atual

Publicado em 25/08/2011, 19:32

Última atualização às 19:41

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São Paulo – A violência no campo fez mais uma vítima na manhã desta quinta-feira (25). Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), foi o sexto assassinato de camponses no Pará desde maio deste ano. Valdemar Oliveira Barbosa  foi morto por dois pistoleiro em uma moto quando trafegava de bicicleta pelo bairro de São Félix, em Marabá (PA), município a 485 quilometros de Belém.

Valdemar, conhecido como Piauí, era sócio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Marabá e coordenou por vários anos um grupo de famílias que ocupava a fazenda Estrela da Manhã, também no município. Como a fazenda não foi desapropriada, ele voltou para Marabá, onde ajudou a organizar a ocupação urbana na Folha 06, no bairro Nova Marabá, onde residia atualmente.

A vítima há mais de um ano também coordenava outro grupo de famílias que ocupavam uma fazenda no município de Jacundá. No final de 2010, elas foram despejadas pela Polícia Militar e, até hoje, Valdemar auxiliava o grupo sem terra.

De acordo com informações da CPT, a Fazenda Califórnia está localizada a 15 quilometros de Jacundá. Pistoleiros teriam sido contratados pelo fazendeiro para impedir uma nova ocupação do imóvel. O assassinato de Valdemar pode ter ligação com a tentativa de reocupação da fazenda. Até o momento a polícia não deu qualquer informação sobre a autoria do crime.

Após três meses, houve avanços parciais em investigações do assassinato dos líderes extrativistas José Claudio e Maria do Espírito Santo, em Nova Ipixuna. Porém, ninguém foi preso até o momento. Segundo a CPT, o comportamento da polícia civil do Pará tem sido de investigar as vítimas e não os responsáveis pelas mortes, quando se trata de crimes no campo. Por isso, o órgão é um dos defensores da federalização desses casos, por considerar que a Justiça estadual tem menos condição de lidar com pressões.

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