Líder de milícia xiita faz críticas a operação contra EI em Falluja

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Publicado segunda-feira, 6 de junho de 2016 as 11:03, por: cdb

Abadi disse que o Exército freou sua ofensiva por temer pela segurança dos mais de 50 mil civis que continuam presos na localidade com acesso limitado a água, alimentos e assistência de saúde

 

Por Redação, com Reuters – de Bagdá:

 

O líder do maior grupo paramilitar dos muçulmanos xiitas do Iraque criticou uma falta de “planejamento preciso” nas operações de guerra para capturar Falluja, bastião do Estado Islâmico próximo de Bagdá.

Os comentários de Hadi al-Amiri, feitos durante uma entrevista ao canal de televisão Al-Sumaria no domingo, fizeram dele o segundo líder miliciano xiita a expressar consternação com os esforços iniciados em 23 de maio pelo primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, para expulsar os militantes sunitas ultrarradicais de Falluja, localizada 50 quilômetros a oeste de Bagdá.

Membros das forças de segurança vistos em Falluja
Membros das forças de segurança vistos em Falluja

– Infelizmente existe uma ausência de planejamento preciso para as operações militares – disse Amiri, líder da Organização Badr, o maior contingente da Mobilização Popular, uma coalizão de milícias xiitas que se uniram dois anos atrás para combater o Estado Islâmico com apoio do Irã e que luta ao lado do Exército iraquiano.

Na sexta-feira, o porta-voz do grupo Asaib Ahl al-Haq, Jawad al-Talabawi, disse que as operações praticamente chegaram a um impasse e pediu que Abadi ordene a retomada dos ataques.

Abadi disse que o Exército freou sua ofensiva por temer pela segurança dos mais de 50 mil civis que continuam presos na localidade com acesso limitado a água, alimentos e assistência de saúde.

Civis iraquianos

Um barco que levava civis fugindo por um rio de Falluja afundou no sábado, matando pelo menos quatro pessoas, no momento em que forças a favor de Bagdá disseram que tinham a cidade iraquiana quase completamente cercada.

Duas crianças, a mãe delas e um homem se afogaram ao cruzar o rio Eufrates, uma das poucas rotas de fuga que sobrou para os civis que tentam deixar a cidade sitiada pelo Estado Islâmico. Nove outras pessoas que acredita-se estavam no navio permanecem desaparecidas, disse a política.

– Vi com meus próprios olhos minha família desaparecer sob a água – disse Abu Tabarak, que viu do lado do lado do rio dominado pelo Estado Islâmico o barco afundar com sua mulher, folho e filha a bordo.

– Não havia ligar no barco para mim, então esperei com minha segunda filha pelo próximo – disse ele por telefone do hospital para onde os corpos foram levados.

Cerca de 50 mil civis vivem em Falluja, a 50 km de Bagdá, com acesso limitado a água, alimentos e cuidados de saúde, de acordo com estimativa das Organização das Nações Unidas.

As forças iraquianas, com a ajuda de milícias xiitas e apoio aéreo da coalizão liderada pelos EUA, lançaram uma ofensiva em 23 de maio para retomar a cidade sunita, a primeira a cair nas mãos do Estado Islâmico no Iraque, em janeiro de 2014.

Um líder da coalizão xiita apoiada pelo Irã que participa da ofensiva disse que o único lado da Falluja que continua a ser assegurado pelas forças pró-Bagda estão na parte da margem ocidental do rio Eufrates.

– Estamos agora às portas de Falluja – disse Abu Mahdi al-Muhandis, vice-líder da Força de Mobilização Popular, em uma entrevista à imprensa televisionada.