Líder checheno quer julgar Basayev por massacre em Beslan

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Publicado sexta-feira, 24 de setembro de 2004 as 10:07, por: cdb

O principal líder rebelde checheno disse nesta sexta-feira que gostaria de levar a julgamento o comandante guerrilheiro Shamil Basayev, responsável pela ocupação de uma escola em Beslan (sul da Rússia), que terminou com a morte de mais de 320 pessoas, metade das quais crianças.

– Anuncio que após o final da guerra (de independência da Chechênia), indivíduos culpados de conduzir atos ilegais, inclusive Shamil Basayev, serão levados a um tribunal de justiça – afirmou Aslan Maskhadov, em nota reagindo ao fato de Basayev ter assumido a autoria intelectual da ação de Beslan.

Maskhadov aparentemente ameaça punir Basayev com base na lei islâmica, a sharia, que ele introduziu quando era presidente da Chechênia – cargo que ocupou durante mais de dois anos no final da década passada.

Apesar de Maskhadov negar qualquer relação com o ataque de Beslan, o governo russo ofereceu 10 milhões de dólares pela captura dele e de Basayev e continuou dizendo na sexta-feira que ambos agiram em conjunto.

– Maskhadov, com a ajuda de tais atos terroristas organizados por Shamil Basayev, quer forçar a Rússia a fazer concessões aos grupos de bandidos, para que ele possa novamente se tornar um chamado ‘presidente legítimo – disse Ilya Shabalkin, porta-voz do Exército, em uma nota.

Maskhadov foi eleito presidente da Chechênia em 1997, numa época em que a região do sul da Rússia era, na prática, independente. Ele e Basayev estão foragidos desde que as forças russas invadiram a área, em 1999, para controlar o movimento separatista.

Mas ele é considerado relativamente moderado, e muitos analistas dizem ser a única opção de Moscou para uma eventual negociação.

– Anuncio que a liderança da República Chechena e as forças armadas sob meu controle não têm nada a ver com este ato terrorista – disse Maskhadov em declaração publicada no site www.chechenpress.com.

Basayev, o homem mais procurado da Rússia, admitiu neste mês que ordenou a operação de Beslan e vários outros ataques das últimas semanas, como a explosão de dois aviões, que matou 90 pessoas. Ele alertou que vai continuar atacando.

Maskhadov já havia condenado a atuação de Basayev antes. Eles romperam em outubro de 2002, quando o comandante guerrilheiro organizou a ocupação de um teatro de Moscou, que terminou com uma desastrosa intervenção das tropas russas e a morte de 129 reféns.

Mas, neste ano, Maskhadov e Basayev estavam aparentemente se unindo novamente. A dura crítica divulgada pelo líder político nesta sexta-feira, porém, pode enfraquecer as forças rebeldes, que estão no seu momento de maior atividade em vários anos.

Os militares russos anunciaram que houve violentos combates em toda a região durante a noite, envolvendo comandantes sob controle de Maskhadov. Um site dos guerrilheiros disse que eles controlam duas aldeias.