Licitação para novo sistema de ônibus em SP acontece sem muitas mudanças

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Publicado quinta-feira, 6 de março de 2003 as 09:59, por: cdb

Apesar de a prefeita Marta Suplicy e o secretário de Transportes Jilmar Tatto insistirem na necessidade de tirar os “maus empresários” do sistema de ônibus de São Paulo, a renovação na licitação foi praticamente nula. Segundo o presidente da Transurb, Sergio Pavani, dos 32 empresários que operam atualmente na capital apenas um não participou da concorrência para o novo sistema de transportes.

A empresa Nações Unidas ficou oficialmente de fora, mas Pavani afirma que os empresários “vão dar um jeito” de seu proprietário ter participação no resto do sistema.

Logo que começou a abertura dos envelopes, o secretário afirmou que a mudança deveria ser expressiva. “Houve uma renovação de quase 40%”, disse Tatto. “Os grupos pequenos vão aumentar e os fortes vão diminuir a participação”, afirmou o secretário.

Ainda não é possível fazer essa conta porque não se sabe exatamente quais são as novas linhas da cidade. A afirmação do secretário, porém, foi refutada por Pavani e desconfirmada com a abertura dos envelopes.

“Os empresários são os mesmos e não entrou nenhuma viação nova. Outros consórcios foram criados com praticamente as mesmas empresas para a concorrência”, disse Pavani. Uma que havia sido apontada como “de fora” é a Viação Osasco. A empresa, porém, pertence ao Grupo Castro, que já opera na capital.

Os oito lotes de operação da cidade serão disputados por nove consórcios: Bandeirantes (lote 1), Sambaíba Veículos Ltda (lote 2), Plus (lote 3), SP Bus Transportes Urbanos S/A (lote 4), Audy (lote 5), Viasul Transportes Urbanos (lote 5), UniSul (lote 6), Sete (lote 7) e Sudoeste de Transportes (lote 8). Apenas o lote cinco tem dois concorrentes e todos os consórcios são praticamente os mesmos que operam hoje na cidade.

A Santa Brígida, Gato Preto e Andressa pleiteiam o primeiro lote, em que já estão as duas primeiras, junto com Serra Negra e Nova Paulista. Na segunda área concorre a Sambaíba, do empresário Belarmino Marta. Na terceira, continua o consórcio Plus, com as empresas Expandir e Vip, ligadas ao Grupo Ruas.

Na quarta área o Consórcio Aricanduva mudou de nome para SP Bus, com a América do Sul, Expresso Paulistano e Trólebus Aricanduva. O quinto lote é disputado pela atual Via Sul, também ligada ao grupo Ruas, e pela Audy, com as empresas King e Solution Bus, de um empresário que já opera em outras áreas. No lote seis deixam de concorrer algumas empresas que sofreram intervenção municipal, como a Santa Bárbara e a Parelheiros, mas se mantêm a Paratodos, a Bola Branca, a Tupi e o grupo Ruas, com a Vip. O consórcio Sete continua, também do grupo Ruas. No último lote, continuam a Gato Preto, Oak Tree e a Castro (agora como Viação Osasco).

A “renovação” está por conta da ausência de algumas empresas, como as que passaram por administração municipal e as do grupo Romero Niquini. O grupo era responsável por quase 10% dos ônibus que circulavam na capital, antes de sofrer intervenção e detonar uma crise que levou à saída do ex-secretário de Transportes, Carlos Zarattini. Também ficou de fora a Viação Cidade Tiradentes, cujo dono foi preso em 18 de fevereiro.

Na quinta-feira passada (27 de fevereiro), houve indícios de que novas empresas participariam do processo. Aquele dia era o prazo máximo para depósito dos cheques-caução exigidos para a licitação e 20 empresas apresentaram intenção de concorrer. A ilusão foi desfeita logo no dia seguinte, prazo final para a entrega das propostas: apenas os nove consórcios citados levaram os envelopes para a Secretaria Municipal de Transportes.

Nesta quarta-feira, foram abertas as propostas técnicas de cada grupo. Os d