Líbia: Em reunião com latino-americanos, Patriota muda o tom

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Publicado quinta-feira, 25 de agosto de 2011 as 17:18, por: cdb

Durante reunião de chanceleres da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) e do Focalal (Foro de Cooperação América Latina-Ásia do Leste), realizadas em Buenos Aires, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, mudou o tom que vinha utilizando em relação aos acontecimentos na Líbia.
A reunião, convocada para tratar das medidas a serem tomadas pelos participantes dos dois foros diante da crise financeira internacional, também discutiu o desenrolar da agressão imperialista contra a Líbia.

Apesar de reiterar que o governo aguarda ainda um posicionamento da ONU sobre a Líbia, Patriota revelou que é “solidário” às aspirações do “povo” líbio por “progressos institucionais, econômicos e sociais, por buscar formas mais modernas de governança”, tendo dito inclusive que a Líbia havia sido submetida nas últimas décadas a “um governo autocrático”.

Segundo afirmou o chanceler, “como região democrática, estamos ao lado das aspirações por liberdade e democracia”, afirmando em seguida que haveria convergência entre os países da América do Sul em relação a alguns pontos, como o papel da ONU (Organização das Nações Unidas), sobretudo do Conselho de Segurança, na “promoção da paz” e da “segurança” na Líbia em um eventual governo sem Muamar Kadafi.

As declarações do ministro foram contrastadas com a condenação da Otan pela Venezuela, que por meio de seu presidente Hugo Chávez denunciou o papel do imperialismo na intervenção contra o país do norte da África. Chávez condenou mais uma vez o ataque das forças leais à Otan contra Trípoli,

Ao mesmo tempo, o chanceler Patriota admitia que o Conselho Nacional de Transição (CNT) é um “interlocutor válido no atual momento”.

“Qualquer que seja o [futuro] governo, ele deverá ser de transição, para organizar eleições e proporcionar à população condições de maior participação nos destinos do país”, acredita.

Ao encerrar a conversa com jornalistas brasileiros, o chanceler afirmou que o Brasil se considera “mais amigo da Líbia que outros países. “Nunca utilizamos armas contra o povo líbio. E o país se distinguiu por se posicionar sempre ao lado da população”.

Impasse

O que restou do exército líbio manteve bolsões de resistência em Tripoli, apesar da ofensiva dos combatentes leais à Otan, que chegaram a utilizar artilharia pesada para tentar controlar a cidade.

Fontes ligadas ao CNT admitiram que os “rebelados” sustentaram intensos combates em ruas do centro de Trípoli, uma imagem diferente da veiculada pela mídia, que dava como favas contadas a tomada do controle da principal cidade do país norte-africano.

Imagens de canais árabes via satélite mostraram grupos de irregulares disparando com metralhadoras antiaéreas e outros armamentos contra um hotel no centro da capital, ao mesmo tempo em que soldados do exército resistiam em bairros e outras zonas do centro e sul.

Promessas

Mustafa Abdel Jalil, chefe do CNT, disse em coletiva de imprensa em Bengazi, bastião dos “rebeldes” no oriente da Líbia, que a oferta de US$ 1,7 milhões para quem ajudar a capturar Kadafi, vivo ou morto, continua de pé.

Jalil chegou a falar de um eventual governo do CNT, depois do que chamou de “vitória de todos os líbios”. Segundo ele, todos os problemas de abastecimento de alimentos, combustível e medicamentos para a população estão prestes a ser resolvidos, mas ainda se combate nas localidades de Bin Jawad, Sirte e Zuwarah.

Fontes da Otan, cujos bombardeios aéreos foram decisivos para o avanço dos rebeldes, admitiram que estão dando assistência em inteligência e reconhecimento às forças irregulares, para “ajudá-los” a localizar Kadafi, se preparando também para entrar no terreno, ocupando o país por um tempo indeterminado.

A transferência do CNT de Bengazi para Trípoli, anunciada para quarta-feira, foi assunto retirado da pauta da mídia corporativa nesta quinta. Os combates em torno de Bab al-Azizia, complexo onde supostamente morava Kadafi, ressurgiram após a aparente calma de quarta-feira.

O panorama continua convulso e confuso, na mesma medida em que aumentam as especulações sobre o paradeiro do presidente da Líbia. Durante o dia, as ruas permaneceram quase desertas em consequência da presença de franco-atiradores.

Da redação, com agências

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