Lavagem da Escadaria e Boi Falô marcam a Sexta-feira da Paixão

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Publicado quinta-feira, 5 de abril de 2012 as 07:17, por: cdb

Lavagem da Escadaria e Boi Falô marcam a Sexta-feira da Paixão

05/04/2012 – 10:03

  

 

Doni Vieira

 

A sexta-feira da Paixão de Cristo, 6 de abril, é um feriado especial que reúne atividades de fé, religião, cultura e folclore. Entre as celebrações consta a 27ª edição da Lavagem da Escadaria da Catedral Metropolitana. A programação começa às 9h com concentração dos participantes na Estação Cultura.

 

Em procissão, os participantes seguem pela Rua 13 de Maio até a Catedral, onde é realizada a celebração. São esperadas cerca de 700 pessoas, entre integrantes de religiões afro-brasileiras, grupos culturais e público em geral. O evento tem o apoio de diversos órgãos da Administração Municipal, como a Secretaria Municipal de Cultura e a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas, além da Guarda Municipal.

 

Ritual

 

É um ato muito importante que mostra que o Brasil é um dos países de maior sincretismo religioso. Quando chega à Catedral, o grupo inicia a cerimônia para a esperada lavagem. Para o ato, os participantes costumam utilizar aproximadamente 150 litros de essência de alfazema, chamada de água de cheiro, e ainda cerca de 250 maços de crisântemos brancos, que depois são distribuídos ao público.

 

Conforme os organizadores, a Lavagem da Escadaria da Catedral é para reafirmar a resistência dos povos negros vindos de todas as partes do território africano, com seu rico legado cultural e religioso. O ato representa ainda a purificação e a captação de boas energias. Com a lavagem deixa-se a tristeza de lado para marcar um recomeço.

 

Programação

 

9h – Concentração na Estação Cultura

10h – Descida em procissão pela Rua 13 de Maio

12h – Cerimônia Religiosa e Lavagem da Escadaria

13h às 17h – Shows e apresentações culturais

17h- Encerramento

 

Festa “Boi Falô”

 

Já em Barão Geraldo será promovida, também nesta sexta-feira, dia 6 de abril, a 17ª edição da festa “Boi Falô”. A programação será realizada das 9h às 14h, na Escola Estadual de Barão Geraldo de Rezende, situada na Rua Jerônimo Pátaro, s/nº, no centro do distrito.

 

A festa é realizada por meio de trabalho conjunto da subprefeitura local, vinculada à Secretaria Municipal de Serviços Públicos, moradores e empresários do distrito. Conforme os organizadores, a programação do “Boi Falô” tem sido prestigiada por um grande número de pessoas de Campinas e outras cidades da região.

 

Entre as atividades culturais, garantem presença o grupo musical Savuru e a Orquestra Cabocla. A maior atração da festa e muita aguardada pelo público todos os anos é a tradicional macarronada com sardinha, servida gratuitamente por volta das 12h.

 

A lenda “Boi Falô”

 

Conta-se que a lenda do “Boi Falô” surgiu no ano de 1888, na fazenda Santa Genebra, de propriedade do Barão Geraldo de Rezende. Um dos escravos que trabalhava nas plantações de cana de açúcar e café foi obrigado pelo capataz a ir ao pasto e atrelar um boi para arar a terra em uma sexta-feira santa.

 

Esse escravo, chamado Toninho, um rapaz franzino e muito obediente, foi então colocar a canga no animal, que estava deitado sob uma frondosa árvore. Por mais que o escravo insistisse, o boi não saia do lugar. Foi ai que o animal olhou para o escravo, deu um mugido alto e disse: hoje é dia santo, é dia do Senhor, não é dia de trabalho.

 

O escravo saiu correndo para sede da fazenda, gritando: o boi falô, o boi falô! Segundo a lenda, o capataz ainda teria tentado castigar o Toninho pela insubordinação, mas ele correu para a Casa Grande à procura do Barão Rezende que, ao ouvir seu relato, teria lhe dado razão e ordenado que ninguém trabalhasse naquele dia.

 

O escravo passou a trabalhar dentro da casa por muitos anos, até sua morte, e, em consideração aos seus bons serviços, acabou sendo enterrado junto ao túmulo do Barão, no cemitério da Saudade, em Campinas.

 

A lenda faz parte do folclore do Distrito de Barão Geraldo. O túmulo do escravo Toninho é um dos mais visitados no Dia de Finados, principalmente por aquelas pessoas que querem alcançar uma graça.