Lava Jato: tesoureiro do PT é detido em nova fase da operação

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Publicado quarta-feira, 15 de abril de 2015 as 10:05, por: cdb
João Vaccari Neto é preso em sua casa, em São Paulo, e levado pela Polícia Federal para Curitiba
João Vaccari Neto é preso em sua casa, em São Paulo, e levado pela Polícia Federal para Curitiba

 

O tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), João Vaccari Neto, foi preso na manhã desta quarta-feira, em São Paulo, e será levado pela Polícia Federal (PF) para Curitiba. Ele foi detido em casa.

A detenção ocorreu durante a 12ª etapa da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de lavagem e desvio de dinheiro na Petrobras, envolvendo algumas das maiores empreiteiras do Brasil e também parlamentares.

Com base em depoimentos da operação, Vaccari é suspeito de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Os delatores afirmam que o tesoureiro intermediou pagamento de propina em contratos com fornecedores da Petrobras e que o dinheiro foi usado para financiar campanhas políticas

Segundo a Polícia Federal, estão sendo cumpridas quatro ordens judiciais nesta manhã. Entre elas estão um mandado de busca e apreensão, um de prisão preventiva, um de prisão temporária e um de condução coercitiva. Segundo a Folha de S. Paulo, entre os alvos estão a mulher e a cunhada de Vaccari.

– A posição de João Vaccari é muito semelhante à (do doleiro) Alberto Youssef, no sentido de que ele aparece como um operador, um representante de um esquema político partidário dentro da Petrobras  – disse o procurador regional da República Carlos Fernando Lima a jornalistas.

– Nós acreditamos, naturalmente, diante das investigações de que nós já tivemos notícia de que esse esquema se replica em outros órgãos públicos federais, mas em relação à Petrobras, João Vaccari tem um papel semelhante ao de Alberto Youssef como operador – acrescentou.

O procurador afirmou ainda que diante de conduta reiterada de lavagem de dinheiro de 2004 a 2014 se fez necessário o pedido de prisão preventiva.

Lima revelou ainda que Vaccari fez pagamento de R$ 1,5 milhão a uma gráfica sem prestação de serviço a título de suposta propina e que familiares do tesoureiro receberam depósitos que indicam lavagem de dinheiro.

Segundo o Ministério Público Federal, o tesoureiro do PT tinha conhecimento da origem ilícita das doações. Vaccari e o partido negam as acusações.

Em depoimento à CPI da Petrobras na semana passada, Vaccari negou ter tratado das finanças do partido com executivos da Petrobras investigados no caso de corrupção na estatal, além de afirmar mais de uma vez que não cuidou da parte financeira da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff.

 

Todas as ordens estão sendo cumpridas na capital paulista, mas os presos serão levados diretamente para a superintendência da PF em Curitiba.