Lava Jato: Barusco depõe na PF em ação contra Odebrecht

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Publicado quinta-feira, 29 de outubro de 2015 as 11:34, por: cdb

Por Redação, com ABr – de Brasília:

O engenheiro Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços da Petrobras e delator da Operação Lava Jato, está novamente prestando depoimento ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal, em Curitiba. Dessa vez, na condição de acusado em uma ação que envolve a empreiteira Odebrecht, no âmbito da Operação Lava Jato. De acordo com Justiça federal no Paraná, o depoimento começou pouco depois das 10h.

Em setembro, Barusco havia sido ouvido como testemunha de acusação e delator, na fase inicial do processo, mas nesta ação envolvendo a Odebrecht é ouvido na condição de réu.

Estão previstos, também para esta quinta-feira, depoimentos de dois ex-executivos da Odebrecht: Cesar Ramos Rocha e Alexandrino Ramos da Alencar, preso na 14ª fase da Operação Lava Jato. Ambos foram soltos recentemente pelo juiz Sérgio Moro sob a justificativa de não oferecerem riscos às investigações.

Nesta sexta-feira serão ouvidos o presidente da holding Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e os diretores da empresa Rogério Santos de Araújo e Márcio Farias da Silva.

Em setembro, Barusco havia sido ouvido como testemunha de acusação e delator, na fase inicial do processo, mas nesta ação envolvendo a Odebrecht é ouvido na condição de réu
Em setembro, Barusco havia sido ouvido como testemunha de acusação e delator, na fase inicial do processo, mas nesta ação envolvendo a Odebrecht é ouvido na condição de réu

Na última segunda-feira, o juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, homologou mais um acordo de delação premiada na Operação Lava Jato. A pedido do Ministério Público Federal (MPF), Moro validou os depoimentos de coloboração de João Antônio Bernardi Filho, preso na 14ª fase da Lava jato, deflagrada em junho. Em troca das declarações, o acusado ganhou o direito de responder às acusações em liberdade.

Entre as cláusulas que constam no acordo com o MPF, Bernardi Filho deverá devolver aos cofres públicos R$ 3 milhões, dos quais 80% serão destinados à Petrobras e 20% aos órgãos de investigação da Lava Jato. Bernardi também assinou compromisso no qual se comprometeu a comparecer a todos os atos judiciais e a não mudar de endereço sem autorização do juízo.

Nos depoimentos, o delator detalhou aos investigadores sua relação com ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. João Bernardi foi denunciado pelo MPF, por suposto pagamento de propina a Duque para favorecer a petroleira italiana Saipem.

Custo alto

A Operação Lava Jato teve um custo não intencional para a sociedade brasileira, além dos benefícios do combate à corrupção, disse na última terça-feira o diretor de Estudos e Políticas Sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), André Calixte.

Segundo Calixte, as investigações “travaram” a cadeia produtiva de petróleo e gás no início deste ano e tiveram impacto na construção civil, que foi um dos setores com maior queda no nível de ocupação no primeiro semestre de 2015.

– Não era possível desorganizar uma das cadeias mais importantes do país sem ter impacto na vida das pessoas, mesmo que isso seja necessário para colocar na cadeia os corruptos – disse Calixte, que acrescentou: “a verdade é que essa operação teve um custo muito alto para a sociedade brasileira. Não é só o benefício do combate à corrupção”.

O diretor do Ipea destacou que essa consequência não foi a intenção do Judiciário, mas não pode ser ignorada. Calixte disse que ainda não é possível dizer exatamente quantos empregos foram afetados pelo impacto nos setores de petróleo e construção.

O Ipea apresentou uma pesquisa sobre o mercado de trabalho com base em dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (Pnad) e no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). A construção civil teve uma das maiores quedas, de 6,7% em relação ao primeiro semestre de 2014, atrás apenas da administração pública, que teve retração de 10,3% no nível de ocupação. A redução do nível de ocupação no país, segundo o Ipea, está mais relacionada à queda no número de novas admissões e não a um aumento nas demissões.