Latino-americanos não acreditam na classe política, reconhece FHC

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Publicado quarta-feira, 23 de abril de 2003 as 14:49, por: cdb

O ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso, reconheceu esta quarta-feira em Madri que os latino-americanos “não acreditam na classe política” e que estão cansados “da falta de resultados palpáveis”.

“Um dos problemas na América Latina é o cansaço da população e a falta de resultados palpáveis, apesar das contínuas reformas” econômicas, disse Fernando Henrique na segunda conferência internacional sobre a Europa e América, organizada pelo jornal madrileno ABC (direita).

Esse cansaço “tem se traduzido numa desmoralização das camadas sociais” disse FHC, reconhecendo que “o povo não acredita na classe política”.

No entanto, o ex-presidente brasileiro, que em janeiro passado passou o poder a Luiz Inácio Lula da Silva, assegurou que em toda a região, com exceção de Cuba “a democracia está consolidada e as instituições foram fortalecidas”, de modo que na sua opinião “o sistema funciona”.

FHC criticou que, num nível internacional, não se tenha reconhecido “suficientemente” a inclusão da “cláusula democrática” nos tratados firmados pelos países da América Latina.

“A cláusula democrática constitui uma parte natural de nosso sistema e isso não tem sido reconhecido suficientemente”, destacou Fernando Henrique, responsável por uma comissão de reforma do funcionamento das Cúpulas Ibero-americanas.

Fernando Henrique também criticou o papel de instituições internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) ou o Banco Mundial (BM) para com os países emergentes.

Nenhum dos organismos “foram capazes de transformar os efeitos da globalização em melhorias para os países emergentes”, disse FHC.

A conferência, durante a qual também serão abordadas as repercussões da instabilidade internacional na economia latino-americana, e o futuro das relações transatlânticas, contou ainda com as presenças do ex-presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, que deixou o poder em agosto de 2002 e mora em Madri, e o governador do Banco Central do México, Guillermo Ortiz.

Como convidado de honra estava o príncipe Felipe de Borbón, herdeiro da coroa espanhola.