Lan house não é solução para inclusão digital, diz sociólogo

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Publicado domingo, 13 de maio de 2007 as 11:20, por: cdb

As lan houses (locais onde as pessoas podem acessar a internet e jogar pagando por hora) podem colaborar para o processo de digitalização da sociedade, mas não são a solução para a inclusão digital entre a população de baixa renda. É o que afirma o sociólogo e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo Sérgio Amadeu.

Amadeu, que também é autor do livro Exclusão Digital: a miséria na era da informação e professor da pós-graduação da faculdade Casper Líbero, ressalta o caráter comercial da lan houses, que seria um impeditivo para a inclusão digital. Segundo ele, nas áreas de predominância das camadas D e E da população “as pessoas não tem o mínimo nem para assegurar a sua sobrevivência, quanto mais para pagar R$ 1 ou R$ 2 para acessar a internet”.

Essa, de acordo com o sociólogo, seria a principal limitação para que as lan houses participem se forma efetiva do processo de inclusão digital nas camadas mais pobres da sociedade.

– Em algumas áreas de classe média baixa ela pode também cumprir um papel de assegurar o acesso, mas está bem distante das possibilidades de criar inserção nas áreas de grande pobreza. Daí a necessidade de termos programas de inclusão digital que sejam gratuitos, como os telecentros – afirma Amadeu.

Ele se refere a espaços comunitários com computadores conectados à internet banda larga, com acesso gratuito para a população local. Além do acesso livre, os telecentros também oferecem oficinas e cursos de informática básica. Tudo funcionando com software livre.

Amadeu acredita que as lan houses devem ser incentivadas pelo governo, por serem empreendimentos que podem gerar empregos. No entanto, para ele, a inclusão digital significa também capacitação do usuário para trabalhar com as ferramentas disponíveis na rede, o que não ocorre numa lan house.