Lamy e seu presente de grego

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Publicado quarta-feira, 22 de junho de 2011 as 09:28, por: cdb

Só faltava essa. O diretor geral da Organização Mundial do Comércio, Pascal Lamy, ao embarcar para os Estados Unidos, onde foi se encontrar com o representante de Comércio da Casa Branca, Ron Kirk, fez o papel de porta-voz dos interesses da Europa e dos Estados Unidos. Ele defende que os países emergentes, principalmente Brasil, China e Índia, além dos ricos, congelem suas tarifas de importação por um tempo indeterminado. A intenção, defendeu, é barrar o que chamou de “tentação protecionista”. Segundo Lamy, a pressão protecionista no mundo cresce de forma perigosa.

A proposta tem efeito direto sobre o governo brasileiro, que nos últimos meses, tem encontrado brechas legais nas regras do comércio para permitir uma elevação de suas tarifas de importação em setores considerados  sensíveis, como o aço. O Brasil pratica uma tarifa de importação média de cerca de 12,5%. Mas, por direito, tem o poder de elevar qualquer uma de suas tarifas para 35%, a taxa máxima autorizada de acordo com os compromissos internacionais do governo.

A proposta de Pascoal Lamy soa como presente de grego. Enquanto os Estados Unidos praticam uma política abertamente expansionista, visando desvalorizar o dólar e aumentar suas exportações, pedem para nós, Brasil, Índia e China que não aumentemos nossas tarifas. Ou seja, que aceitemos cândida e passivamente a guerra cambial e comercial, sem defesa de nossa economia e comercio externo.

Medidas tópicas

É pedir muito. Não dá para considerar a proposta de Lamy sem uma negociação geral e global. Tomar medidas tópicas, como essa, que no fundo significa retirar de nós as tarifas, o único instrumento que temos para defender nossa economia. Os demais, ou são proibidos, ou são de difícil operacionalidade, como o controle de capitais e a administração do câmbio.