Kirchner: ‘não aceitarei pressões do Congresso’

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Publicado terça-feira, 20 de maio de 2003 as 22:27, por: cdb

Ao anunciar os integrantes de seu Ministério, o presidente eleito da Argentina, Néstor Kirchner, aproveitou para mandar um recado ao Congresso Nacional.

– Acabou a era do toma lá dá cá. Chegou a hora de fortalecer as instituições. Não vou aceitar pressões de setor algum.

Kirchner será empossado neste domingo, dia 25, acompanhado por onze ministros e pelos secretários de Inteligência do Estado (Side), o deputado federal Sérgio Acevedo, e da Secretaria Geral da Presidência, Oscar Parrili.

Sobre seu ministério, Kirchner disse que ele “é homogênio, formado por gente jovem e competente que tem o objetivo de melhorar o futuro do país”.

Sem dificuldade

O presidente eleito também afirmou que estava montando um gabinete estável.

– Esta não é uma equipe de transição, mas que veio para me acompanhar durante todo o governo.

Quando perguntado como chegou à conclusão sobre os nomes, ele confessou que não teve dificuldades, já que sequer tinha se comunicado com os escolhidos, antes do anúncio feito nesta terça-feira direto da província de Santa Cruz, na Patagônia.

Kircher foi governador dessa província durante onze anos e sete meses, graças à reforma constitucional que ele próprio implementou e que permite reeleições sem limitações.

As surpresas foram Rafael Bielsa para o Ministério das Relações Exteriores, Comércio e Direitos Humanos e Gustavo Belíz para a pasta da Justiça.

Bielsa será responsável pelas discussões sobre integração, como o Mercosul, além das negociações comerciais estratégicas que interessam muito ao Brasil, como a Alca – o mercado comum das Américas.

Ele também terá responsabilidade pela negociação das feridas abertas pela ditadura argentina nos anos 70, que deixou 30 mil desaparecidos, segundo organizações de direitos humanos.

Já Belíz estará à frente, principalmente, do combate à corrupção, um item defenido por Kirchner como “essencial”.

Esperado

Entre os nomes já esperados estão Roberto Lavagna, mantido no Ministério da Economia, mas agregando a pasta da Produção, e Ginés Gonzalez García para a Saúde.

O presidente eleito evitou antecipar as primeiras medidas a serem adotadas por seu governo, pedindo que prestem atenção ao discurso que fará, neste domingo, quando falará ao Parlamento, antes de receber a faixa e o bastão na Casa Rosada.

– Não será um governo de medidas espetaculares e pacotes que surpreendam os argentinos e que depois não são colocados em prática. Será um governo de trabalho diário. Não será um governo de dias, mas um governo de quatro anos e meio. Portanto, nossas medidas serão de longo prazo.

Com essa declaração, o sucessor de Eduardo Duhalde pretendeu, além de reduzir as expectativas, ainda deixar claro que concluirá seu mandato.

Nos últimos dias, ele tem reiterado que não deixará a Casa Rosada de helicóptero, uma referência ao ex-presidente Fernando de la Rúa, que renunciou em dezembro de 2001 e cujo mandato só terminaria no dia 10 de dezembro próximo.

Kirchner é o sexto presidente argentino em menos de quatro anos. Depois de De la Rúa, outros quatro passaram pela Presidência do país, sendo Duhalde o quinto.